MC Delux: do motoboy de Queimados ao funk que atravessa fronteiras
São Paulo, outubro de 2026 — De rimas improvisadas nas rodas de samba de Queimados, na Baixada Fluminense, aos palcos da Europa, MC Delux se consolidou como uma das vozes mais reconhecíveis do Funk Mandelão e do Brazilian Phonk.
Nome artístico de Vinicius Martins dos Santos, nascido em 20 de janeiro de 1985, o artista transformou uma trajetória marcada por trabalho braçal e vulnerabilidade social em uma carreira internacional construída de forma independente.
Filho adotivo do lendário Mr. Catra, MC Delux encontrou no funk não apenas uma profissão, mas uma referência de família e de ofício.
A relação começou em 2008, quando ele foi ao estúdio do artista acompanhado do primo, MC Boneco. Na mesma semana, foi convidado para cantar em um show e passou a ser acolhido por Catra como filho.
Morou com ele por cerca de dez anos e, segundo relata, recebeu do padrinho uma lição que guia sua carreira até hoje: acreditar em si mesmo, ter juízo e não desistir.
A origem que virou combustível
Antes de viver exclusivamente da música, MC Delux trabalhou como motoboy, atuou na área de logística e em um lava-rápido.
Ainda adolescente, aos 17 anos, percebeu o talento para rimar e, em 2010, deixou o emprego fixo para se dedicar integralmente ao funk. A decisão foi arriscada, mas decisiva.
Desde então, o artista construiu uma carreira baseada em autonomia: mantém produtora própria, dois home studios e uma estratégia de abrir sua voz para DJs consagrados e iniciantes, forma de ampliar o alcance do Mandelão sem depender exclusivamente de grandes estruturas da indústria.

O DVD gravado na Mansão Mandela
Em 2022, MC Delux lançou o DVD “Eu Bem Que Te Avisei”, gravado na Mansão Mandela.
Segundo o artista, é o primeiro DVD de um MC de Mandela. O projeto registrou em imagens a energia dos bailes e da cena que ele ajudou a levar ao país.
O artista também assina os álbuns “Nostalgia do Funk Vol. 1” e “Nostalgia do Funk Vol. 2”, produzidos nos estúdios da Mansão Mandela.
Os trabalhos resgatam a irreverência e os clássicos do funk brasileiro por meio de releituras autorais, conectando as raízes do gênero à linguagem das novas gerações.
Hits que viraram linguagem popular
A força de MC Delux está na capacidade de transformar situações cotidianas em refrões que atravessam classes, idades e fronteiras.
Entre seus principais sucessos estão “Eu Bem Que Te Avisei (Tu Empinou Ele Pei)”, com DJ Abdo, um dos marcos da carreira, com mais de 54 milhões de visualizações no YouTube; “Deu Meia-Noite, Eu Sumi / Vou Pagar Combão”, faixa emblemática do DVD gravado na Mansão Mandela; “Se Você Não Quer Passa a Vez”, com DJ Guih da ZO; e “Orquestra Maldita”, com TRASHXRL, que deu projeção internacional ao artista no universo do Brazilian Phonk.
O catálogo inclui ainda “Liga o Flash do Celular”, “Já Tô Sabendo Que É Seu Aniversário” e “Magrão Supeemo”, e soma mais de 50 faixas acima de 1 milhão de streams.
Suas músicas também se tornaram fenômenos de dança no TikTok.
Anitta, Virginia Fonseca, Larissa Manoela, Camila Loures, Ludmilla, Isis Valverde e Zé Felipe estão entre os nomes que já utilizaram suas faixas em vídeos virais, ampliando o alcance do artista para além do circuito funk.
Reconhecimento nas plataformas
MC Delux já ultrapassou a marca de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify, segundo reportagem da revista IstoÉ.
Em 2024, quando iniciava sua sexta turnê europeia, veículos como o Metrópoles registraram 11 milhões de ouvintes mensais e destacaram sua presença constante nas plataformas de streaming.
Além do consumo massivo, o artista aparece em playlists oficiais de alcance global, incluindo Novidades da Semana, BRAZILIAN PHONK e GYM PHONK, o que reforça sua presença tanto no mercado brasileiro quanto no público internacional de música eletrônica e fonk.
Europa sem atalhos
A internacionalização de MC Delux não nasceu de um contrato com grande gravadora, mas de uma estratégia independente.
O artista já realizou seis turnês pela Europa, levando o Funk Mandelão a públicos fora do Brasil e mostrando que a linguagem das periferias brasileiras dialoga com diferentes cenários musicais.
Para ele, o funk deixou de ser apenas um gênero local.
“O Funk brasileiro quebrou barreiras, hoje não somos mais o ‘Funk brasileiro’, hoje somos do mundo”, afirmou MC Delux em entrevista.
Um nome para o presente do funk
Mais do que um intérprete de hits, MC Delux é parte da história recente do Mandelão: um artista que saiu da periferia de Queimados, foi acolhido por uma das maiores referências do funk nacional, construiu estrutura própria e transformou a internet em palco permanente.
Sua trajetória une superação, viralização e relevância internacional, elementos que o colocam entre os nomes importantes para entender o funk brasileiro contemporâneo.

