quarta-feira, julho 29, 2026
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Liderança feminina no agro consolida agenda própria no digital

Estudo Macfor aponta alta de 116,5% nas interações e ampliação dos temas debatidos

A conversa digital sobre mulheres no agronegócio brasileiro mudou de natureza entre 2025 e 2026, e ao lado dos temas ligados à liderança feminina ganharam espaço discussões sobre gestão, sucessão, crédito, desenvolvimento e legado. É o que aponta a nova edição do estudo “O Agro no Comando Delas”, produzido pela Macfor, agência de marketing digital full service, a partir do monitoramento de 671 hashtags e mais de 600 menções em sites, portais e redes sociais.

O alcance total das publicações caiu 60,2% em relação ao levantamento anterior, mas as interações mais que dobraram, com alta de 116,5%. O padrão indica uma comunidade menos dependente de picos virais e mais conectada por interesse permanente, algo típico de temas que amadurecem no ambiente digital, e o sentimento seguiu positivo em 96% das menções, praticamente estável frente a 2025.

Pelo segundo ano consecutivo, as emoções predominantes nas menções são identificação e admiração, atributos raros em conversas de negócios e de setor produtivo, o que ajuda a entender por que o principal conteúdo do período não veio de marca, cooperativa ou parceria comercial, mas de duas produtoras rurais que publicaram, em perfis pessoais, uma reflexão ancorada na frase “o campo não exige menos feminilidade, exige competência”. A peça alcançou cerca de 4,5 milhões de visualizações e circulou por identificação cotidiana.

A positividade nas menções se organiza em algumas frentes recorrentes, entre elas a celebração de mulheres que se tornaram referência no setor, publicações que conectam a liderança feminina no agro a ESG, sustentabilidade, inovação e impacto social, e o registro de conquistas históricas, com nomeações, leis e marcos institucionais em espaços de decisão.

As trajetórias individuais funcionam como prova social, com histórias de produtoras, veterinárias, agrônomas e empresárias rurais que superaram barreiras e dão sustentação à conversa, conectando representatividade com resultado prático. Em paralelo, cresceram no período discussões sobre autonomia econômica, Pronaf Mulher, regularização sanitária, marketing rural, custos de produção e acesso a mercados, enquanto a saúde da mulher rural também entrou com mais força, com menções recorrentes a prevenção ao câncer de mama, saúde mental, perimenopausa, menopausa e autocuidado. O conjunto desloca parte do debate para as condições necessárias de permanência da mulher no campo.

Sustentando esse movimento, marcos institucionais em diferentes níveis apareceram entre as pautas de maior repercussão, como a instalação da primeira Câmara Temática das Mulheres Rurais no Ministério da Agricultura e a segunda edição da Jornada de Liderança Feminina no Agro promovida pela CNA, ao lado de programas de capacitação conduzidos por Sebrae e Faesp. A presença feminina também cresceu em cargos de decisão no sistema cooperativista e em órgãos como a Defesa Agropecuária de São Paulo, enquanto iniciativas municipais e grandes eventos setoriais reforçaram o sentimento de pertencimento entre mulheres do setor.

A diferença entre o que circula nas redes sociais e o que aparece em sites e portais chamou atenção por outro motivo. A análise separada das palavras-chave, com 97% de sentimento positivo e captura majoritária em sites e portais (54%), mostra que a mídia institucional prioriza agricultura familiar, assistência técnica, crédito rural e saúde psicossocial, enquanto as redes se movem pela troca de experiências e por encontros presenciais entre mulheres. No LinkedIn, prevalecem discussões sobre liderança executiva, cooperativismo e diversidade corporativa; no Instagram, ganham espaço relatos pessoais e histórias de superação; e no Facebook, cooperativas, sindicatos e prefeituras publicam sobre eventos locais e reconhecimento de produtoras.

As menções negativas identificadas no recorte não indicam rejeição à liderança feminina no setor, mas refletem preocupações relacionadas a violência no meio rural, dificuldades econômicas e desafios cotidianos enfrentados por mulheres no campo.

O estudo anterior da Macfor, publicado em 2025, já havia apontado que empresas do agronegócio lideradas por mulheres apresentam indicadores humanos e resultados financeiros mais consistentes, e a nova edição sugere que a comunicação com esse público tende a se afastar de campanhas construídas apenas em torno de datas simbólicas, com a conversa pedindo presença em discussões sobre decisões produtivas, políticas de crédito, sucessão de negócios rurais, saúde e formação técnica.

Clique e acesse o estudo na íntegra: https://read.paperflite.com/assets/6a611343d1a0d9428e44fc30?utm_source=Paperflite%20Link

Metodologia

O estudo “O Agro no Comando Delas – Versão 2026” foi conduzido pela Macfor entre 24 de maio e 23 de junho de 2026, com comparativo frente à edição de março de 2025. Foram monitoradas duas frentes complementares. A primeira, por hashtags, cobriu 671 tags relacionadas ao tema, entre elas #mulheresnoagro, #mulhernoagro, #mulheresnoagronegocio, #liderançafemininanoagro, #liderançasfemininasnoagro e #agromulher, distribuídas entre Instagram (87%), Facebook (9%) e LinkedIn (4%). Essa frente somou 16,8 milhões de alcance e 84,2 mil interações. A segunda frente, por palavras-chave, monitorou os termos “mulheres no agro”, “mulheres no agronegócio”, “mulheres no campo”, “mulher no agro”, “mulher no agronegócio”, “liderança feminina no agro”, “mulheres e agronegócio” e “mulher e agronegócio”, com 602 menções captadas em sites e portais (54%), Instagram (19%), Facebook (16%), LinkedIn (5%), news (5%), YouTube, Twitter e blogs. Essa frente alcançou 3 milhões de pessoas e 9,8 mil interações. A análise cobriu volume de menções, alcance, interações, sentimento predominante e mapeamento temático das conversas.

Alessandra Astolphi
Alessandra Astolphihttp://namidia.com.br
Alessandra tem passagens por alguns dos maiores veículos de comunicação do estado de São Paulo, como Editora Abril, Folha de São Paulo, Estadão, Diário do Grande ABC e Revista Livre Mercado. Colunista dos portais de notícias Tô na Band e São Paulo em Destaque e está à frente dos portais Economia SA, com foco em negócios, e Viajar SA. É sócia-diretora da Business Group Events, agência 360º, única no mercado que atende desde projetos para redes sociais e artistas até negociação de shows e eventos.
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