terça-feira, outubro 27, 2026
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Inclusão de neurodivergentes exige adaptações nos espaços

Inclusão de neurodivergentes exige adaptações nos espaços

Adaptações e capacitação profissional favorecem o acolhimento de diferentes necessidades

A convivência com pessoas neurodivergentes tem ampliado os debates sobre acessibilidade e o respeito às diferenças nas escolas, no trabalho, em ambientes familiares e acadêmicos, como na faculdade de terapia ocupacional.

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que existem mais de dois milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. Esse número representa 1,2% da população do país com dois anos ou mais. Com um número tão significativo, entender as diferentes formas de aprender, sentir e interagir exige que os espaços se tornem adaptados às necessidades individuais.

Mas, antes de falar sobre acessibilidade de ambientes como escola, trabalho e locais de lazer, é fundamental entender o que é a neurodiversidade. No geral, ela é caracterizada por variações no funcionamento neurológico que não são consideradas doenças, mas sim uma variação natural do cérebro e do sistema nervoso.

Inclusão de neurodivergentes exige adaptações nos espaços

Inclusão de neurodivergentes exige adaptações nos espaços

(Créditos: andreswd / iStock)

As mais comuns são:

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA);

  • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);

  • Superdotação;

  • Dislexia;

  • Dispraxia;

  • Síndrome de Tourette.

Cada uma delas possui suas particularidades e graus ou níveis de suporte necessários. E é exatamente por isso que as adaptações precisam ser pensadas para atender ao maior número de neurodivergentes possível.

Neurodiversidade e acessibilidade nos ambientes do cotidiano

Tratando-se das diferenças entre as condições, os espaços precisam ser pensados para proporcionar o máximo de conforto visual e auditivo. Luzes fortes, barulhos constantes e odores exagerados podem gerar desconforto para quem se enquadra em algum grau.

A neuroarquitetura pensa não apenas em reduzir os danos do cotidiano, mas também em acolher essas pessoas e promover conforto na rotina. Dessa forma, áreas tranquilas, com baixo estímulo de luzes e ruídos, permitem que, em vários momentos do dia, essas pessoas possam se regular emocionalmente e sensorialmente quando se sentirem pressionadas.

Além disso, seja nos espaços de aprendizagem, profissionais ou de lazer, é essencial incluir instruções que facilitem o cotidiano, com orientações claras que reduzam a ansiedade.

As adaptações podem variar de acordo com as necessidades de cada pessoa. Nas escolas, por exemplo, o uso de recursos visuais, a divisão de atividades extensas em etapas menores e a oferta de mais tempo para determinadas tarefas podem facilitar a aprendizagem.

Em locais de lazer, a disponibilização de informações antecipadas sobre o ambiente, o controle do volume dos sons e a criação de áreas de descanso são medidas que favorecem a participação de pessoas com diferentes necessidades.

Para que a rotina do neurodivergente não tenha imprevistos, a escuta ativa das pessoas ao redor é fundamental. Considerar as particularidades de cada um e ter uma agenda flexível na escola e no trabalho garantem que aquela pessoa possa se organizar no próprio ritmo, seja na hora da aprendizagem ou na entrega de demandas.

Formação profissional e estratégias de adaptação às necessidades individuais

Essa discussão se estende ainda entre especialistas de diversas áreas e faz com que cada vez mais pessoas busquem formação profissional para entender as melhores formas de oferecer adaptação.

Enquanto a psicologia ajuda a compreender aspectos ligados ao diagnóstico, às emoções e aos comportamentos dos neurodivergentes, outras áreas também vão ganhando importância, principalmente quando a ideia é a inclusão na sociedade.

Pedagogos, fonoaudiólogos e profissionais de educação física são importantes desde a formação das crianças com algum grau de neurodivergência. Eles ajudam esses indivíduos a aprender as matérias básicas e a desenvolver a coordenação motora.

Enquanto isso, a faculdade de terapia ocupacional traz conhecimento para promover a adaptação de estímulos e tarefas, considerando as características e preferências de cada pessoa, sem aplicar soluções padronizadas.

Quando feito em conjunto, a sociedade é capaz de incluir proporcionando o máximo de conforto possível.

Uiara Zagolin
Uiara Zagolin
Jornalista e Editora do portal NA MIDIA; Correspondente Internacional; Diretora de Relações Internacionais da FEBRACOS Federação Brasileira de Colunistas Sociais; Vice-Presidente da APACOS Associação Paulista de Colunistas Sociais; Delegada Regional da Associação Internacional de Imprensa; membro da Worldwide Association of Female Professionals; Imortal na Academia de Artes de São Paulo e Academia Mundial de Letras. Com formação no Canadá, EUA e UK
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