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Fungos de solo: o que são e como afetam as raízes?

Quando uma lavoura apresenta falhas no estande, amarelecimento irregular ou plantas com desenvolvimento abaixo do esperado, a causa mais investigada costuma ser a nutrição ou o clima.

Os fungos de solo, no entanto, estão por trás de uma parcela significativa desses sintomas e são frequentemente diagnosticados tarde demais para uma intervenção eficaz.

Esses patógenos habitam o solo de forma permanente, sobrevivem por anos na ausência de hospedeiros e atacam as plantas nas fases mais vulneráveis do seu desenvolvimento.

Compreender como eles funcionam é o primeiro passo para um manejo que realmente funcione.

O que são os fungos de solo e como sobrevivem

Os fungos de solo são micro-organismos que completam parte ou todo o seu ciclo de vida no perfil do solo, infectando raízes, hipocótilos e tecidos basais das plantas.

Diferente dos fungos foliares, que dependem de condições climáticas específicas para cada ciclo de infecção, os patógenos de solo têm estruturas de resistência que lhes permitem sobreviver por períodos prolongados mesmo sem hospedeiro.

Estruturas de sobrevivência

Os clamidósporos, os escleródios e os oósporos são exemplos de estruturas de resistência produzidas por diferentes espécies de fungos de solo.

O Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo-branco na soja, forma escleródios que permanecem viáveis no solo por até dez anos, o que explica por que áreas com histórico da doença continuam apresentando problemas mesmo após longos períodos sem a cultura hospedeira.

Condições que favorecem os patógenos

Temperatura do solo entre 15°C e 25°C, alta umidade e solos compactados com drenagem deficiente são as condições que mais favorecem a atividade dos fungos patogênicos.

O plantio em épocas ou condições inadequadas, combinado com sementes sem tratamento fungicida, cria uma janela de vulnerabilidade que esses organismos exploram com eficiência.

As principais espécies e os danos que causam

O perfil de fungos de solo relevantes para a agricultura brasileira varia conforme a cultura e a região, mas algumas espécies se destacam pelo impacto econômico e pela ampla distribuição geográfica.

Fusarium spp.

O gênero Fusarium reúne diversas espécies patogênicas que causam podridão de raízes, murcha vascular e tombamento de plântulas em culturas como soja, milho, feijão e trigo.

A síndrome da morte súbita da soja, causada por Fusarium virguliforme, é um dos exemplos mais impactantes: a infecção ocorre nas raízes nas primeiras semanas após a emergência, mas os sintomas foliares aparecem apenas no período reprodutivo, quando a intervenção já não é mais possível.

Rhizoctonia solani

A Rhizoctonia solani causa o tombamento de plântulas e a podridão radicular em uma ampla gama de culturas. Ela é especialmente problemática em solos frios e úmidos no início do ciclo, quando as plântulas ainda não desenvolveram sistemas de defesa maduros.

O dano é mais visível em reboleiras dentro do talhão, frequentemente confundidas com falhas de plantio ou problemas de fertilidade.

Pythium spp. e Phytophthora spp.

Esses oomicetos, que compartilham características com fungos mas pertencem a um grupo biológico distinto, causam podridão de raízes e de colo em condições de excesso de umidade.

A podridão radicular por Phytophthora na soja é uma das doenças de solo de maior impacto econômico no Brasil, com perdas que podem comprometer lavouras inteiras em áreas com histórico de encharcamento.

Sclerotinia sclerotiorum

O mofo-branco é um dos patógenos de solo mais difíceis de manejar na sojicultura brasileira. Além da longevidade dos escleródios, a doença tem uma fase aérea que infecta flores e hastes, tornando o manejo dependente de aplicações de fungicidas no momento certo, entre o florescimento e o fechamento do dossel.

O portal Mais Agro reúne conteúdos sobre as principais pragas e doenças agrícolas com orientações práticas sobre identificação e manejo por cultura.

Por que o manejo preventivo supera o curativo

A lógica do manejo curativo, aplicar o produto depois que o problema aparece, funciona razoavelmente bem para doenças foliares, onde o patógeno está acessível e a intervenção pode interromper o ciclo. Para fungos de solo, essa lógica falha por razões biológicas fundamentais.

O problema do diagnóstico tardio

Quando os sintomas de uma doença de solo aparecem na parte aérea da planta, a infecção nas raízes já está em estágio avançado. Nesse ponto, nenhuma aplicação foliar ou de solo resolve o problema da planta afetada.

O que se pode fazer é proteger as plantas ainda saudáveis e planejar o manejo para o próximo ciclo.

Acesso limitado dos produtos ao sítio de infecção

Aplicar fungicidas no solo após o estabelecimento da cultura tem eficácia muito limitada. A distribuição do produto na zona radicular é difícil, a degradação microbiana é rápida e a concentração que chega ao ponto de infecção raramente é suficiente para controlar o patógeno já estabelecido.

O tratamento de sementes como primeira linha de defesa

O tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos é a ferramenta mais eficaz disponível para proteção contra fungos de solo. Aplicado diretamente sobre a semente, o produto protege o hipocótilo e as raízes nos estágios mais vulneráveis da planta, quando o sistema de defesa ainda está em formação.

Sementes tratadas com combinações de princípios ativos sistêmicos, como carboxinas, triazóis e estrobilurinas, oferecem proteção mais ampla e duradoura do que produtos de contato aplicados isoladamente.

O portal Mais Agro detalha como proteger o canavial dos fungos de solo com orientações que ilustram a lógica preventiva aplicada em uma cultura de ciclo longo.

Práticas culturais que reduzem a pressão de patógenos

O tratamento de sementes é eficaz, mas funciona melhor quando integrado a práticas culturais que reduzem a população de inóculo no solo ao longo do tempo.

  • Rotação de culturas: a alternância de espécies hospedeiras interrompe o ciclo de patógenos específicos e reduz gradualmente a população de inóculo. Culturas não hospedeiras de Fusarium virguliforme, por exemplo, ajudam a reduzir o potencial de inóculo em áreas com histórico de morte súbita.
  • Drenagem e manejo de compactação: a melhora da drenagem e a descompactação de camadas subsuperficiais reduzem o período de saturação hídrica do solo, desfavorecendo patógenos como Pythium e Phytophthora.
  • Calagem e correção do pH: solos com pH adequado têm microbiota mais ativa e equilibrada, o que favorece a supressividade natural do solo contra patógenos, um fenômeno documentado em solos com histórico longo de plantio direto e alta matéria orgânica.
  • Época de plantio: semeaduras em solos frios e úmidos aumentam o período de exposição das plântulas aos patógenos antes da emergência. Ajustar o calendário para condições mais favoráveis reduz significativamente o risco.

O solo saudável como barreira natural

A melhor defesa contra fungos patogênicos de solo não é um produto: é um solo biologicamente ativo, com diversidade microbiana capaz de competir com os patógenos e suprimir naturalmente sua atividade.

Solos com alto teor de matéria orgânica e microbiota equilibrada apresentam supressividade natural que se expressa em menor incidência de doenças, mesmo na presença de inóculo.

Construir esse solo exige tempo, manejo consistente e paciência para colher resultados que não aparecem na safra seguinte, mas que se acumulam ao longo dos anos.

O caminho passa pelo plantio direto consolidado, pela adubação orgânica complementar e pela rotação de culturas bem planejada, práticas que, juntas, criam o ambiente mais desfavorável possível para os fungos que ameaçam as raízes.

Sobre o Mais Agro

O Mais Agro é o hub de conteúdo técnico da Syngenta, dedicado a levar informação confiável, análises de mercado, práticas de manejo e tendências agrícolas para produtores, consultores, pesquisadores e toda a cadeia do agronegócio.

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Para saber mais, acesse o portal.

Andrezza Barros
Andrezza Barroshttp://www.namidia.com.br
Jornalista, entrevistadora e assessora de imprensa brasileira. É CEO do site andrezzabarros.com, onde realiza entrevistas com os mais diversos públicos, desde empresários, cantores, atores, médicos, políticos, entre outros indivíduos que queiram contar um pouco da sua história ao público. Além desses, Andrezza também comanda o site deadlinews.com.br e é sócia do site materialivre.com.
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