segunda-feira, maio 11, 2026
spot_img
InícioEntretenimentoArte e CulturaModa artesanal é um dos destaques do 22º Salão do Artesanato em...

Moda artesanal é um dos destaques do 22º Salão do Artesanato em São Paulo

O artesanato brasileiro se expressa de maneira cada vez mais destacada na moda e chega forte ao 22º Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras, que acontece de 13 a 17 de maio, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Reunindo mais de 700 artesãos de todos os estados do país e do Distrito Federal, o evento apresenta a diversidade cultural brasileira por meio de criações que articulam identidade, técnica e inovação.

Nesse sentido, peças de roupas, acessórios, calçados, joias e biojoias dividem espaço com outras expressões do artesanato brasileiro, e chamam atenção pela forma como conectam território, experimentação e design. Mais do que produtos, são trabalhos que carregam narrativas de origem e processos que valorizam o tempo do fazer artesanal e manual.

De seringueiro a designer
Calçado em látex natural traduz a identidade amazônica em design contemporâneo. Foto: Dr da Borracha/Divulgação.
Calçado em látex natural traduz a identidade amazônica em design contemporâneo. Foto: Dr da Borracha/Divulgação.

Entre os destaques está o designer acreano José Rodrigues de Araújo, conhecido como “Doutor da Borracha”. Ex-seringueiro, ele construiu sua trajetória a partir do conhecimento prático da floresta, transformando a seiva da seringueira em matéria de criação. Com apoio da Universidade de Brasília (UnB), passou a desenvolver a técnica das Folhas Semi Artefato (FSA), que permite moldar o látex em sandálias, bolsas e biojoias. Assim, seu trabalho articula saber tradicional e pesquisa aplicada, inserindo. portanto, a borracha nativa em um campo ampliado da moda sem romper com sua origem. “Me inspiro na floresta Amazônica. Quando vejo uma folha de árvore ou o traço de uma seringueira, já começo a imaginar o design de um sapato. Portanto, fico muito feliz em ver que o trabalho vem se consolidando no Brasil e no exterior, por ser 100% ecológico e sustentável”, afirma o artesão.

Além disso, sustentabilidade
Colar feito com rede de pescar camarão, descartada pelo pescador, recortada em fio e trabalhada no crochê, em forma de conchinhas. Foto: Redeiras/Divulgação.
Colar feito com rede de pescar camarão, descartada pelo pescador, recortada em fio e trabalhada no crochê, em forma de conchinhas. Foto: Redeiras/Divulgação.

As redes de pesca estão entre as principais fontes de poluição por plástico nos oceanos e também causam impactos diretos na fauna marinha. Nesse contexto, a marca Redeiras reúne, desde 2009, mulheres artesãs da Colônia de Pescadores São Pedro – Z-3, em Pelotas (RS), que, com apoio do Sebrae/RS, transformam resíduos da pesca, como redes de camarão descartadas, escamas e couro de peixe, em peças artesanais e biojoias.

Dessa forma, nas mãos habilidosas das artesãs, esses materiais ganham novos significados e se transformam em colares, bolsas e carteiras, unindo tradição, sustentabilidade, geração de renda e consumo consciente. O resultado já aparece nas encomendas de todo o Brasil e exterior. “A rede que o pescador usa por volta de cinco anos e descarta a gente lava e recorta pacientemente até formar um rolo de fios que são trabalhados no tear manual ou no crochê. Também atendemos o público em geral, além de lojistas de diversos estados brasileiros e também já exportamos para Suíça, Reino Unido, Japão, França e Uruguai”, explica Rosani Raffi Schiller, artesã-gestora Redeira.

Clutch em bordado Labirinto no ponto chuvisco feita pela artesã Janaina Alves dos Santos, da Paraíba.
Clutch em bordado Labirinto no ponto chuvisco feita pela artesã Janaina Alves dos Santos, da Paraíba.
Bordado Labirinto

Outro destaque desta edição é a artesã Janaina Alves dos Santos, da Paraíba, reconhecida por seu trabalho com o bordado labirinto. A técnica tem origem em tradições europeias de bordados com fios desfiados, introduzidas no Brasil durante a colonização portuguesa, no século XVII, e ao longo do tempo foi incorporada à cultura nordestina, ganhando identidade própria. O processo é minucioso e envolve etapas como desfiar o tecido, torcer, encher e perfilar, resultando em peças delicadas e de alto valor artesanal. Tradicionalmente associado à decoração, o labirinto ganha novos usos nas mãos da artesã, que amplia sua aplicação para a moda. “Aprendi a técnica com minha mãe e minha avó e sou da terceira geração de labirinteiras. Além disso, fiz uma pós-graduação em fashion design e hoje aplico a técnica também em roupas e acessórios”, afirma.

Clutches em marchetaria integraram a edição passada do Salão Raízes Brasileiras. Foto: Divulgação.
Clutches em marchetaria integraram a edição passada do Salão Raízes Brasileiras. Foto: Divulgação.

Enfim, com o conceito “O artesanato está com tudo”, o Salão Raízes Brasileiras propõe um olhar ampliado sobre o setor, destacando como o fazer artesanal ocupa diferentes espaços da cultura contemporânea, da moda ao design, passando por objetos utilitários e produções de caráter artístico.

Realizado pela Rome Eventos, o 22º Salão do Artesanato conta com o apoio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e do Sebrae. Além disso, o evento também conta com apresentações culturais e oficinas abertas ao público, ampliando sua proposta como espaço de experiência, formação e negócios.

Assim, além de movimentar a economia criativa, o evento reforça práticas de sustentabilidade e inclusão social, consolidando-se como uma das principais vitrines do artesanato nacional.

Em 2025, a Bienal recebeu apresentação de coleção Muiraquitã, assinada por Maurício Duarte, estilista indígena. Foto: @jpontesfilm.
Em 2025, a Bienal recebeu apresentação de coleção Muiraquitã, assinada por Maurício Duarte, estilista indígena. Foto: @jpontesfilm.
SERVIÇO:

22º Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras

Local: Pavilhão da Bienal — Parque Ibirapuera – São Paulo (SP)

Data: de 13 a 17 de maio de 2026

Horários: Quarta a sexta, 14h às 21h – Sábado e domingo, 10h às 21h

Entrada gratuita

Pet friendly

Instagram: @salaodoartesanatooficial

Fotos: Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras

Enfim, leia ainda: Confira 18 curiosidades sobre a Casa Museu Ema Klabin

Cristina Aguilera
Cristina Aguilerahttps://www.namidia.com.br
Cristina Aguilera é jornalista com sólida formação e experiência na área de comunicação. Possui pós-graduação em Mídias na Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e já atuou como repórter em diversos meios, incluindo TV, rádio, portais e revistas. Além de assinar colunas especializadas em Turismo e Moda, é coautora do livro "A educação contada pela imprensa", organizado em parceria com Cesar Callegari. Apaixonada por moda, turismo, gastronomia, educação, literatura, design e cultura.
RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments

Raquel Maffeis on Stella Valenttina Mello Zorzo
Wagner Casabranca on O desafio invisível dos atletas
Erica Rodrigues Machado on O lugar perfeito para cuidar da sua beleza
Comendador Leamir Antunes da Rocha on FEBACLA – A federação que enaltece a cultura
Jamile Yasmin da Silveira Braga on Quer ser capa de revista, então, vem com a gente!
Iracema di Castro Kelemen on PARNAMIRIM Base Norte-Americana nos Trópicos
Iracema di Castro Kelemen on PARNAMIRIM Base Norte-Americana nos Trópicos
MARUSA CRISTINA DE SOUZA GARCIA on GASTRONOMIA ARTESANAL NA VILA MADALENA