Queda da taxa básica abre espaço para negociar empréstimos e financiamentos, mas inadimplência elevada e custos adicionais dos bancos podem limitar a redução das parcelas
A queda da Selic para 13,75% reacende uma dúvida entre brasileiros que possuem empréstimos, financiamentos ou outras dívidas bancárias: este é o momento de procurar o banco para tentar reduzir os juros ou vale a pena esperar novos cortes da taxa básica?
Embora a redução da Selic possa contribuir para baratear o crédito, seus efeitos não chegam imediatamente ao consumidor. Isso porque os bancos consideram outros fatores na definição das taxas cobradas, como o risco de inadimplência, o prazo de pagamento e as garantias oferecidas. Na prática, mesmo com a queda dos juros básicos, empréstimos e financiamentos podem continuar caros.
Nesse cenário, a renegociação e a portabilidade de dívidas surgem como alternativas para quem deseja diminuir o custo dos contratos. Entretanto, a decisão exige cautela: reduzir o valor das parcelas nem sempre significa pagar menos ao final do financiamento, especialmente quando há ampliação do prazo de pagamento.
“A renegociação pode fazer sentido neste momento, mas nos parece que haverá momentos mais propícios com novas quedas da Selic. Os juros reais ainda permanecem bastante elevados, acima de 8%, e a inadimplência mantém o custo do crédito alto”, explica Juliano Lara Fernandes, especialista em mercado financeiro da Armada Asset.
Segundo Fernandes, a redução da taxa básica pode ser utilizada como argumento para solicitar juros menores ao banco, mas não garante condições mais vantajosas. As instituições financeiras acrescentam à Selic diferentes componentes de risco, conhecidos como spreads, que consideram fatores como prazo, volatilidade e possibilidade de inadimplência. Assim, o aumento desses custos pode até anular os benefícios de uma queda da taxa básica para o consumidor.
O especialista destaca que os primeiros efeitos da redução dos juros tendem a aparecer em financiamentos com garantias mais sólidas e maior possibilidade de recuperação do crédito. Nessas operações, o risco para os bancos é menor e a Selic costuma representar uma parcela maior do custo total do empréstimo.
Portabilidade pode gerar economia, especialmente em contratos longos
Outra alternativa para quem busca reduzir os juros é transferir a dívida para uma instituição financeira que ofereça condições mais competitivas. A estratégia pode representar uma economia significativa em financiamentos de longo prazo, nos quais pequenas diferenças nas taxas se acumulam ao longo dos anos.
Entretanto, Fernandes alerta que a portabilidade nem sempre compensa. Quando restam poucas parcelas para quitar a dívida, a economia pode ser insuficiente para justificar a mudança. Também é importante verificar se a nova proposta envolve produtos adicionais ou cláusulas contratuais desfavoráveis.
“É importante verificar o Custo Efetivo Total (CET) do novo contrato em comparação com o anterior. Esse indicador reúne todos os encargos e custos de uma operação de crédito e permite uma comparação mais precisa do que simplesmente observar o valor das parcelas”, orienta.
Renegociar agora ou esperar?
Para os consumidores que acompanham a trajetória da Selic e esperam novas reduções, o especialista chama a atenção para um aspecto importante: a possibilidade de renegociar novamente no futuro. Na avaliação de Fernandes, ainda existe espaço para a redução dos juros, especialmente diante de uma eventual mudança na política fiscal que resulte em menor déficit nas contas públicas. No entanto, essa perspectiva depende da evolução do cenário econômico.
“Renegociar agora vale a pena desde que isso não impeça outra renegociação no futuro. Se o novo acordo impedir uma negociação posterior, acredito que esperar alguns meses pode trazer mais benefícios”, conclui.
(Crédito: Agência Brasil/Divulgação)

