Bienal Internacional do Livro de São Paulo recebe debates do CRB-8 sobre bibliotecas, leitura e transformação social
Entre os dias 4 e 13 de setembro, o Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Integrando, assim, uma programação que reúne literatura, educação, cultura, leitura e debates sobre o papel das bibliotecas e do acesso à leitura na sociedade.
De certo, durante os dez dias de evento, o estande do Conselho abrigará uma série de encontros, debates, lançamentos de obras e apresentações culturais. Aproximando, portanto, profissionais da informação, educadores, escritores e leitores em geral.

Pesquisa sobre bibliotecas escolares será divulgada na Bienal
Com o tema “Território livre: bibliotecas como espaço da democracia”, a agenda abrange temas centrais da atualidade. Como, por exemplo, a intersecção entre literatura e saúde mental, educação inclusiva, afrofuturismo, fanzines, quadrinhos, saraus de poesia marginal e literatura de cordel. Além disso, haverá debates decisivos sobre políticas públicas para bibliotecas.
Entre os destaques está o debate “Escola sem biblioteca não é legal”, previsto para o dia 6 de setembro, domingo, das 17h às 19h. Assim, o encontro terá a a participação da presidenta do CRB-8, Ana Cláudia Martins; da presidenta do CFB, Dalgisa Andrade Oliveira; do bibliotecário Marcos de Araújo, coordenador da Comissão Temporária de Bibliotecas Escolares do CRB-8; e da professora e escritora Mércia Magalhães.
Enfim, mediado pelo diretor técnico do CRB-8, Guilherme Belíssimo, o debate contará com a participação da coordenadora-geral de Materiais Didáticos da Secretaria de Educação Básica do MEC, Jaqueline Melo.
Portanto, o encontro coloca em evidência a importância das bibliotecas escolares e das políticas públicas para garantir o acesso de estudantes à leitura e à informação.
O debate ocorre em um contexto em que os dados da recente pesquisa do CRB-8 apontam para a distância entre o que determina a legislação brasileira e a realidade encontrada nas escolas paulistas.
De certo, a pesquisa, realizada pelo Conselho em 2025, analisou 912 escolas das redes estadual e municipal de São Paulo e identificou um cenário marcado pela ausência de bibliotecas formalmente constituídas e de bibliotecários. Em muitas unidades, as chamadas “salas de leitura” acabam ocupando o lugar das bibliotecas escolares, sem a estrutura e a atuação profissional previstas pela legislação.
Cenário Nacional
A questão ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional. Dados levantados pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), com base no Censo Escolar de 2022, indicam que apenas cerca de um terço das escolas públicas brasileiras possui biblioteca.
De acordo com a presidenta do CRB-8, Ana Cláudia Martins a universalização das bibliotecas escolares ainda está muito distante do que determina a lei. “ Essa falta aprofunda desigualdades de acesso à leitura que já existem. O mais preocupante é que muitas famílias sequer sabem que seus filhos têm direito a uma biblioteca na escola. Sem conhecer esse direito, os pais não têm como cobrar do poder público o seu cumprimento. É preciso informar a sociedade para que ela possa participar, fiscalizar e exigir bibliotecas estruturadas nas escolas”, defende.
Quando o livro alcança a rua
Assim, a programação também abre espaço para discutir experiências que aproximam as bibliotecas de diferentes públicos. No dia 8 de setembro, das 17h às 18h, a mesa “Onde o livro alcança a rua” aborda a relação entre biblioteca, população em situação de rua e aporofobia.
A atividade contará com a participação de Regina Fazioli, vice-presidenta do CRB-8, ao lado de Meire Rose Stankevicius Bassi e do Padre Julio Lancellotti, reconhecido por sua atuação junto à população em situação de rua.
Portanto, a discussão amplia a compreensão sobre o papel das bibliotecas como espaços públicos de acolhimento, acesso à informação e garantia de direitos, especialmente para pessoas que enfrentam situações de vulnerabilidade e exclusão social.
A programação, enfim, inclui ainda o bate-papo “Escrevivência e a formação antirracista de leitores”, no dia 10 de setembro, além de atividades voltadas à mediação de leitura, literatura periférica e afrocentrada, bibliotecas antirracistas, clubes de leitura, bibliodiversidade, literatura de cordel e quadrinhos. A programação completa do CRB-8 pode ser conferida no site do Conselho.
Quem forma os leitores do futuro?
Além da programação promovida pelo CRB-8, a Bienal também recebe, no dia 4 de setembro, às 18h, o debate Papo de Mercado. O evento terá como tema “Quem forma os leitores do futuro? O papel estratégico das bibliotecas em um ecossistema do livro em transformação”. A mesa reunirá Ana Cláudia Martins, presidenta do CRB-8; Valéria Valls, bibliotecária e pesquisadora; e Nadja Cézar, representante do Ministério da Cultura. A mediação será de Bel Santos Mayer. Enfim, a conversa vai discutir o papel estratégico das bibliotecas, tanto físicas quanto digitais, na formação de leitores, na descoberta de autores e obras e na articulação entre os diferentes agentes da cadeia do livro. Especialmente diante das transformações tecnológicas e das mudanças nos hábitos de leitura e consumo.
Serviço:
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
4 a 13 de setembro:
Distrito Anhembi – São Paulo- Estande do CRB-8: CC28
Confira aqui a programação completa: https://crb8.org.br
https://www.bienaldolivrosp.com.br
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