terça-feira, julho 21, 2026
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Segurança Publica com proposito e visão estratégica

Segurança Publica com proposito e visão estratégica

Michele Vanzella, Empresária, formada em Ciências Contábeis com MBA em Gestão Pública, Membro Honorário da Força Aérea Brasileira, foi mentora do Programa Elas na Indústria da Fiesp capacitando mulheres a cargos de liderança, Co-autora do Livro Virando Páginas I e II contra o feminicídio, mais de 25 anos de gestão de grandes projetos e equipes. Assim, Vanzella entrevista  André Santos Pereira que é Delegado de Polícia do Estado de São Paulo, especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública (Escola Superior de Direito Policial/FCA), presidente licenciado da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) e diretor de Estudos e Propostas Legislativas da ADEPOL-BR (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil.

André,  sou uma entusiasta da pauta de Segurança Pública, pois acredito que nenhum país tem progresso efetivo, sem ordem. André, quantos anos de Segurança Púbica, e como tudo começou na sua vida.

“Michele, concordo plenamente com você: a ordem e a segurança são os pilares que sustentam o crescimento econômico e social. Sem eles, nenhuma mãe tem paz para mandar o filho à escola, nenhum empreendedor tem confiança para investir e nenhum comerciante tem tranquilidade para abrir as portas da sua loja.

Minha história é marcada por essa realidade de quem conhece as dificuldades do cidadão e os problemas da segurança pública. Sou filho de nordestinos, nasci em São Bernardo do Campo e tive uma infância humilde: primeiro em São Paulo, depois no Sertão de Pernambuco. Poucos sabem, mas minha trajetória começou cedo, aos 17 anos, no meu primeiro emprego como embalador no comércio popular. Trabalhava e estudava para o vestibular, e foi assim que ingressei na faculdade de Direito.

Dediquei meus últimos 22 anos à segurança pública: iniciei aos 18 anos como soldado da PM, passei a investigador de polícia e, hoje, sou Delegado da nossa PCSP. Além disso, sou pós-graduado em Inteligência Policial e Segurança Pública.

Recentemente, na presidência da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo — a maior do país — e na coordenação do Fórum Resiste-PCSP, que reúne os representantes dos policiais civis, provamos que a união alcança conquistas históricas, como o novo plano de carreira, o reajuste salarial linear de 10% para ativos, aposentados e pensionistas, e a forte defesa de nossas prerrogativas.

Essa vivência nas ruas, nos plantões, nos estudos e como líder de classe me deu a certeza de que a segurança pública real só se constrói aliando a precisão técnica e o combate implacável contra o crime a um olhar profundamente humanizado no acolhimento às vítimas — garantindo proteção em todos os momentos.”

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Andre Pereira
Lancei dois livros como Coautora, o Virando Páginas I e o Virando Páginas II, ambos no salão nobre da Câmara dos Deputados, com o tema do feminicídio. Algo que assombra nosso pais, quatro mulheres morrem por dia. Como você vê esse desafio, e quais as saídas?

“Primeiramente, quero parabenizá-la por essa iniciativa tão necessária e corajosa, Michele. Como Delegado que já atuou na linha de frente de grandes Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) aqui na capital paulista, eu lido diretamente com o ponto final dessa tragédia e posso assegurar: o feminicídio é a maior falência da família e da proteção estatal.

O desafio é imenso, mas as saídas passam obrigatoriamente por três frentes estratégicas. A primeira é o acolhimento humanizado, fundamental para fortalecer a rede de proteção à mulher antes que a agressão vire estatística de morte, garantindo um atendimento especializado e integral. A segunda é a tecnologia, com monitoramento eficaz de agressores que descumprem medidas protetivas e ferramentas que facilitem a denúncia rápida. E, por fim, como operador do Direito, defendo que o Estado precisa ser implacável, com a máxima celeridade da investigação e do processo criminal. A impunidade ou a leniência da lei alimentam o ciclo da violência. O agressor precisa saber que a resposta do Estado será imediata, robusta e exemplar.”

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Descanso, remuneração justa, equipamentos e tecnologia e Saúde mental, são necessidades de todo profissional, mas na polícia temos o agravante de que os assuntos e ações, são extremamente exaustivos e exigem muita coragem, paciência e resiliência. Como estão esses tópicos na realidade e o que podemos fazer para melhorar as condições de vida e de trabalho da polícia?

“Você tocou na ferida mais dolorosa da nossa realidade, Michele. O policial civil lida diariamente com a maldade humana, com o crime organizado e com o risco iminente. Exigir coragem e resiliência sem dar a contrapartida mínima de dignidade é uma grande injustiça do Estado.

Hoje, a realidade é de sobrecarga crônica de trabalho e defasagem histórica. Para mudar esse cenário, nosso plano de ação é muito claro e está dividido em compromissos firmes que defendo à frente das nossas entidades de classe:

  1. Valorização Salarial Absoluta: O salário do policial precisa refletir o risco da sua missão e a complexidade técnica do seu cargo. Segurança pública eficiente não combina com profissionais desvalorizados.
  2. Modernização com a nova Lei Orgânica: É urgente garantir uma base justa de vencimentos, jornadas de trabalho regulares, cuidados com a saúde do policial, correção de injustiças previdenciárias e proteção das prerrogativas funcionais, ou seja, garantir um ambiente de trabalho em que os profissionais da segurança possa desenvolver suas atividades com mínimo de condições material e humana.
  3. Programa ‘Família Policial’: A saúde mental do policial depende diretamente da tranquilidade dele em relação à sua base. Esse programa que proponho visa dar suporte psicossocial, médico e habitacional contínuo não apenas para o policial, mas para a sua família, que também sofre o impacto colateral dessa profissão tão exaustiva. Cuidar de quem nos defende é o básico.”

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Quais a diferença entre a Polícia Militar e a Polícia Civil? Ambas tem os mesmos desafios ou há questões diferenciadas?

“Essa é uma confusão muito comum na sociedade, e o nosso papel é esclarecer. Embora ambas façam parte do sistema de segurança pública e compartilhem o desafio diário de combater a criminalidade, as funções são completamente diferentes e complementares. Tive a honra de iniciar minha caminhada na Polícia Militar de Pernambuco, então conheço muito bem as duas realidades.

A Polícia Militar atua na linha de frente do policiamento ostensivo e no patrulhamento. O foco dela é a presença nas ruas, a prisão em flagrante e a preservação imediata da ordem pública.

Já a Polícia Civil atua como polícia judiciária: de investigação, de inteligência e de estratégia. A nossa missão tem foco, principalmente, onde o crime já aconteceu: respondendo às perguntas sobre quem matou, quem roubou, quem agrediu e como todo o crime aconteceu. Nós investigamos a autoria, materializamos as provas, mapeamos a engenharia financeira do crime organizado e estruturamos o inquérito que vai permitir ao Ministério Público acusar e à Justiça condenar o criminoso. Por isso, eu sempre digo: quem investiga o crime mercê respeito.

É importante demais prender em flagrante na esquinam, porém, se a estrutura investigativa da Polícia Civil não for forte o suficiente para desmantelar as grandes organizações criminosas por trás daquele delito, todos continuarão enxugando gelo. 

O grande desafio da Polícia Militar e da Polícia Civil atualmente é garantir investimentos para uma gestão eficiente, com foco no aperfeiçoamento humano e material — em síntese, Polícia valorizada, povo protegido.”

Nós dois, estamos pré-candidatos a Deputado por SP, eu estou a Federal e você a Estadual. Sem dúvida, a segurança publica estará na minha base e com certeza absoluta na sua. Como você pretende ampliar a sua atuação, será na melhoria das Leis e implantação eficiente dos recursos?

“Fico muito honrado e entusiasmado por saber que teremos uma voz preparada como a sua no Congresso Nacional, Michele. Essa nossa ‘dobrada’ de propósitos é fundamental, pois a segurança pública precisa ser atacada nas duas esferas.

Como Deputado Estadual na ALESP, minha atuação será focada na eficiência de gestão, fiscalização de recursos e fortalecimento institucional. No plano estadual, o Orçamento é a chave. Pretendo garantir que as verbas públicas carimbadas para a Segurança Pública cheguem de fato à atividade-fim. Assim, na ponta da investigação, na valorização salarial dos policiais e na tecnologia para o atendimento eficiente às pessoas. Vou trabalhar integralmente pela valorização das polícias. Igualmente, pela regulamentação e aplicação da nossa Lei Orgânica. E, também, pela implementação de programas estaduais de apoio à família policial.

Ao mesmo tempo, trarei minha experiência de 22 anos e a força do diálogo constante com as entidades de classe que representam os policiais para propor e aperfeiçoar leis estaduais que melhorem cada vez mais o trabalho realizado pelos profissionais da segurança pública.

Minha meta é fazer valer, de uma vez por todas, uma premissa básica que sua guiará todo o meu mandato: Polícia valorizada, povo protegido!”

 

 

 

Uiara Zagolin
Uiara Zagolin
Jornalista e Editora do portal NA MIDIA; Correspondente Internacional; Diretora de Relações Internacionais da FEBRACOS Federação Brasileira de Colunistas Sociais; Vice-Presidente da APACOS Associação Paulista de Colunistas Sociais; Delegada Regional da Associação Internacional de Imprensa; membro da Worldwide Association of Female Professionals; Imortal na Academia de Artes de São Paulo e Academia Mundial de Letras. Com formação no Canadá, EUA e UK
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