Saúde bucal e qualidade de vida.
Saúde bucal ganha mais espaço nas discussões sobre qualidade de vida
Especialistas reforçam que cuidar da boca vai além da estética e influencia a prevenção de doenças e o envelhecimento saudável
Durante muito tempo, a saúde bucal foi associada principalmente à estética do sorriso. Hoje, porém, essa compreensão vem mudando. O tema passou a ocupar espaço nas discussões sobre saúde pública, envelhecimento e qualidade de vida, à medida que estudos demonstram a relação entre doenças da boca e funcionamento do organismo. O cenário também desperta interesse pela faculdade de odontologia, responsável por formar os profissionais que atuam na prevenção, no diagnóstico e no tratamento dessas condições.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em parceria pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde, mostram que apenas 63% dos brasileiros mantêm uma rotina de higiene bucal que inclui escova de dentes, creme dental e fio dental.
Diante desse cenário, especialistas defendem que a prevenção da saúde bucal deve ser encarada como parte dos cuidados básicos com a saúde, assim como a prática de atividade física, a alimentação equilibrada e os exames periódicos.
Saúde bucal e qualidade de vida
(Créditos: Ridofranz/ iStock)
A relação entre saúde bucal e saúde geral
As evidências científicas reforçam que a boca não deve ser analisada de forma isolada. A periodontite, inflamação crônica que afeta as gengivas e os tecidos de sustentação dos dentes, está associada diretamente ao agravamento de doenças cardiovasculares, ao pior controle do diabetes e ao aumento do risco de complicações respiratórias. Quando não é tratada, a doença também pode acelerar a perda dentária.
Os impactos se tornam ainda mais evidentes com o avanço da idade. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2003), realizada pelo Ministério da Saúde, aponta que 54,7% dos brasileiros entre 65 e 74 anos eram totalmente edêntulos. Esse é um grande problema: a perda dentária compromete a mastigação, dificulta o consumo de alimentos ricos em fibras e proteínas e pode afetar a autonomia e a qualidade de vida.
Por isso, a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir complicações. Entre os cuidados recomendados pelos especialistas, estão:
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escovar os dentes após todas as refeições com creme dental fluoretado;
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usar fio dental diariamente;
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higienizar a língua;
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realizar limpezas profissionais e consultas periódicas para remover o tártaro e identificar alterações ainda nos estágios iniciais;
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manter uma alimentação equilibrada, reduzindo o consumo frequente de alimentos ricos em açúcar.
A limpeza realizada no consultório tem papel importante, porque elimina o tártaro, ou seja, uma placa bacteriana que não é possível sua remoção apenas com a escovação. Quando se acumula, favorece inflamações gengivais e sangramentos e aumenta o risco de evolução para doenças periodontais. Para a maioria dos casos, recomenda-se que cada pessoa faça ao menos 2 limpezas dentais por ano em consultórios odontológicos.
O cirurgião-dentista pode definir a frequência das consultas , de acordo com as necessidades de cada paciente, mas recomenda-se o acompanhamento periódico para a prevenção e o diagnóstico precoce.
Outro desafio na discussão envolve o acesso aos tratamentos odontológicos preventivos. Apesar da ampliação da assistência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Política Nacional de Saúde Bucal e dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), ainda existem desigualdades regionais que dificultam o acompanhamento regular, especialmente entre populações mais vulneráveis.
Cresce o interesse e a busca por faculdades de odontologia
À medida que a saúde bucal ganha relevância nas discussões sobre saúde e envelhecimento, cresce também o interesse pela formação de novos profissionais. Dados do Conselho Federal de Odontologia (CFO), divulgados em 2025, mostram que o Brasil reúne mais de 441 mil cirurgiões-dentistas registrados. Enquanto o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que os cursos de odontologia somavam 162.750 estudantes matriculados em 2024.
Esse cenário contribui para ampliar a procura pela faculdade de odontologia. Na qual os estudantes têm contato com diferentes áreas de atuação, desenvolvem habilidades clínicas. Igualmente, compreendem a importância da prevenção em saúde bucal como parte do cuidado integral ao paciente.
Sabemos que a saúde bucal influencia funções essenciais do dia a dia, como mastigar, falar e se alimentar. Além de impactar a autoestima e o bem-estar. E é por essa razão que consultas periódicas e exames preventivos são tão importantes. Dessa forma, ajudando a identificar alterações ainda nos estágios iniciais e tornando o tratamento mais simples. Isto é, sem tantos riscos de complicações. Então9, preservar esses cuidados ao longo da vida contribui para manter a alimentação, a comunicação, a funcionalidade da boca e a qualidade de vida durante o envelhecimento.

