quarta-feira, agosto 12, 2026
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O Lucro Presumido deixou de ser plano — e a comparação entre regimes mudou de lugar

A comparação entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real tinha resposta estável havia anos. Em 2026, ela mudou de lugar — e mudou só para uma parte das empresas.

Quem não refez a conta pode estar operando com uma conclusão que expirou.

O que a LC 224/2025 fez

Como a LC 224/2025 aplica 35,2% de presunção apenas sobre a parcela da receita que excede R$ 5 milhões

Como a LC 224/2025 aplica 35,2% de presunção apenas sobre a parcela da receita que excede R$ 5 milhões

A Lei Complementar 224, de dezembro de 2025, acrescentou 10% aos percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL no Lucro Presumido.

Duas precisões importam aqui, e as duas costumam se perder na divulgação.

A primeira: são 10% sobre o percentual, não 10 pontos. Serviços, cuja presunção era de 32%, passam a 35,2% — que é 32 multiplicado por 1,10. Quem leu “32% virou 42%” leu errado.

A segunda, e é a que realmente muda a estratégia: a majoração incide apenas sobre a parcela da receita bruta anual que exceder R$ 5 milhões. Abaixo disso, nada mudou.

Na prática, uma prestadora de serviços que fature R$ 6 milhões no ano aplica 32% sobre os primeiros R$ 5 milhões e 35,2% sobre o R$ 1 milhão excedente. Não é a receita inteira reprecificada.

A entrada foi escalonada: o efeito no IRPJ vale desde 1º de janeiro de 2026; no CSLL, desde 1º de abril.

Por que isso reposiciona a comparação

O Lucro Presumido sempre foi atraente por ser plano: uma presunção fixa, previsível, indiferente ao tamanho.

Deixou de ser. Agora ele tem uma faixa mais cara em cima, o que o aproxima da lógica progressiva. Para a maioria das empresas — as que ficam abaixo dos R$ 5 milhões — nada disso importa. Para as que orbitam esse valor, a conta virou outra, e a fronteira com o Lucro Real ficou mais perto do que era.

Empresa que cresceu e passou a atravessar os R$ 5 milhões sem revisar o regime está tomando uma decisão de 2024 com números de 2026.

Onde cada regime realmente ganha

Fora dessa novidade, os critérios seguem os mesmos — e continuam sendo mal aplicados.

Simples Nacional funciona bem para faturamento até R$ 4,8 milhões, especialmente para prestador de serviço com folha relevante, porque o Fator R pode levar a empresa ao Anexo III, com alíquota inicial de 6%. Ele também simplifica a rotina, o que tem valor próprio.

Lucro Presumido compensa quando a margem real é maior que a margem presumida. Se a lei presume que você lucrou 32% e você lucrou 45%, os 13 pontos de diferença não são tributados. É um bom negócio para operação enxuta e lucrativa.

Lucro Real é o caminho quando a margem real é menor que a presumida, quando há prejuízo a compensar, quando existem muitos créditos a aproveitar, ou quando a operação é de exportação. Também é obrigatório acima de determinado faturamento e para certas atividades.

A conta que decide, em uma linha

Descontada toda a complexidade, o Presumido e o Real se separam por uma pergunta: a sua margem real é maior ou menor do que a margem que a lei presume?

Se for maior, o Presumido é vantagem. Se for menor, o Presumido cobra imposto sobre um lucro que não existiu — e essa é uma das formas mais silenciosas de a empresa pagar caro sem perceber, porque a guia sai certa, do jeito que o regime manda.

O erro de comparar só o imposto

Duas variáveis ficam de fora da planilha e mudam o resultado com frequência.

O custo de conformidade. O Lucro Real exige escrituração completa e controle que o Presumido não pede. Às vezes o imposto menor não paga a estrutura a mais.

O crédito na cadeia. Se seus clientes são empresas que aproveitam crédito, o regime que você adota afeta o preço que elas aceitam pagar. Ganhar no imposto e perder na negociação não é ganho.

Quando refazer a conta

A revisão precisa acontecer antes do fim do ano, porque a opção é anual e não se corrige em março.

Três gatilhos pedem revisão imediata: atravessar os R$ 5 milhões de receita anual, mudar a margem de forma relevante — para cima ou para baixo — e mudar o perfil de cliente, principalmente se passou a vender mais para empresas.

Para quem quer ver os três regimes lado a lado com os próprios números — receita, margem, folha e perfil de cliente —, o comparador de regimes da Contec faz a simulação em reais e mostra onde cada um começa a perder para o outro.

Andrezza Barros
Andrezza Barroshttp://www.namidia.com.br
Jornalista, entrevistadora e assessora de imprensa brasileira. É CEO do site andrezzabarros.com, onde realiza entrevistas com os mais diversos públicos, desde empresários, cantores, atores, médicos, políticos, entre outros indivíduos que queiram contar um pouco da sua história ao público. Além desses, Andrezza também comanda o site deadlinews.com.br e é sócia do site materialivre.com.
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