quarta-feira, julho 1, 2026
spot_img
InícioDestaqueO custo do transporte e a economia global

O custo do transporte e a economia global

O custo do transporte e a economia global.

Guerra, petróleo e frete: por que o custo do transporte está pressionando a economia global?

O transporte rodoviário de cargas voltou ao centro das discussões econômicas globais. Em um cenário marcado por conflitos internacionais e instabilidade no mercado de energia, o aumento no preço do petróleo tem provocado impactos diretos e imediatos no custo do frete e, consequentemente, no preço final de produtos e serviços.

Na prática, a logística se tornou um dos primeiros setores a sentir os efeitos de tensões geopolíticas. Qualquer ameaça à oferta de petróleo, seja por conflitos armados, sanções econômicas ou instabilidade em regiões produtoras, gera reflexos quase instantâneos no transporte de cargas.

Para o especialista em logística e comércio exterior Filipe Veras, o momento atual exige atenção redobrada, pois o impacto não é apenas pontual, mas estrutural.

“Hoje o transporte não reage mais no médio prazo. Ele reage no curto. Qualquer tensão internacional que envolva petróleo ou rotas estratégicas impacta o custo do frete praticamente em tempo real”, afirma.

Com mais de duas décadas de atuação no setor e experiência direta em operações no MERCOSUL e nos Estados Unidos, Veras acompanha de perto como o mercado tem reagido a essas oscilações.

Combustível: o coração da logística

O diesel representa uma das maiores fatias do custo operacional do transporte rodoviário, no Mercosul, essa fatia pode representar de 35% em operações comuns e chegar a 50% do custo do frete em tempos de crise, já nos EUA o custo de combustível pode representar 20% do custo operacional. Mas, com uma escalada de crise, observamos uma elevação de 35% a 40% do custo de frete.

Nos EUA, há mecanismos e gatilhos homologados por lei, que impedem que o Transportador seja diretamente penalizado pela variação dos combustíveis, o conhecido Fuel Surcharge (Sobretaxa de Combustível). Esse é um Mecanismo de Defesa do mercado Norte Americano, os Embarcadores, Brokers e Transportadores, combinam um frete base, que segue inalterado; se o diesel subir acima de um teto estipulado, o cliente paga automaticamente um percentual por milha rodada, para cobrir a variação repentina da bomba.

Já o MERCOSUL e o Brasil especificamente, não contam com este benefício. Quando o preço sobe, não há margem suficiente para absorver o impacto sem repasse.

“Diferente de outros setores, o transporte tem pouca gordura. O combustível sobe, o frete sobe. É uma relação direta, sem muito espaço para amortecimento”, explica.

Segundo ele, esse efeito se propaga rapidamente pela cadeia produtiva. Indústrias pagam mais caro para transportar insumos, distribuidores repassam o aumento e, no final, o consumidor absorve a conta.

O custo do transporte e a economia global

Instabilidade global reduz previsibilidade

Além do aumento de custos, o cenário atual trouxe um novo desafio para o setor: a falta de previsibilidade.

Antes, o planejamento logístico conseguia trabalhar com maior estabilidade de preços e rotas. Hoje, variáveis externas passaram a interferir diretamente nas operações.

“O maior problema hoje não é só o custo elevado, é a incerteza. Você fecha um frete hoje sem saber qual será o custo real da operação daqui a alguns dias”, destaca Veras. Isso limita a capacidade comercial em dar prazos alongados e garantias de negócios sem comprometer a margem.

Essa volatilidade tem forçado empresas a rever contratos, reduzir prazos de negociação e operar com maior cautela.

O custo do transporte e a economia global

Efeito imediato nos Estados Unidos e reflexos no MERCOSUL

Nos Estados Unidos, onde o mercado de transporte rodoviário é altamente sensível à dinâmica de oferta e demanda, as oscilações no custo do combustível já impactam diretamente a disponibilidade de cargas para o mercado autônomo, e o comportamento do frete.

Atuando também no mercado norte-americano, Veras observa mudanças rápidas no cenário. Nos principais Load Boards (Market Place para cargas esporádicas), gráficos indicam que houve uma queda de 45% no volume de postagem de cargas, com um aumento de consolidação de cargas para longas distâncias transportadas por trem na casa de 9,5%, uma estratégia viável que os EUA possuí para rápida reação.

“O mercado americano responde muito rápido. Quando o custo sobe, o autônomo para, a oferta diminui e o frete dispara. É um efeito quase automático”, afirma.

No MERCOSUL, embora a dinâmica seja diferente, os impactos também são significativos, especialmente em economias mais dependentes do transporte rodoviário. Nossa malha logística depende de mais de 65% das rodovias e transportadoras, o dobro da necessidade americana.

Logística como termômetro da economia

Para Filipe Veras, o transporte de cargas deixou de ser apenas uma atividade operacional e passou a funcionar como um indicador antecipado da economia real.

“Se o frete está subindo, é sinal de forte demanda, aquecimento econômico ou algum fator direto impactando as commodities. Igualmente, se está caindo, pode indicar desaceleração, menor consumo. Dessa forma, a logística hoje é um termômetro muito claro do que está acontecendo”, analisa.

Cenário exige adaptação e estratégia

Então, diante desse contexto, empresas que dependem de transporte precisam se adaptar rapidamente. Isto é, adotando estratégias mais flexíveis e acompanhando de perto o cenário internacional.

Por fim, “A logística ficou mais estratégica. Quem não acompanha o cenário global e não entende o impacto do petróleo e da política internacional vai operar no prejuízo”, conclui Veras.

 

 

Fonte: Divulgação/Assessoria de Imprensa Fabi Franco
Fotos: Divulgação/Acervo Pessoal
Leia ainda: Reunião da Comissão Goiana de Cultura marca avanços

Uiara Zagolin
Uiara Zagolin
Jornalista e Editora do portal NA MIDIA; Correspondente Internacional; Diretora de Relações Internacionais da FEBRACOS Federação Brasileira de Colunistas Sociais; Vice-Presidente da APACOS Associação Paulista de Colunistas Sociais; Delegada Regional da Associação Internacional de Imprensa; membro da Worldwide Association of Female Professionals; Imortal na Academia de Artes de São Paulo e Academia Mundial de Letras. Com formação no Canadá, EUA e UK
RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments

Rogerio araujo on Arena Caipirão 2026
Raquel Maffeis on Stella Valenttina Mello Zorzo
Wagner Casabranca on O desafio invisível dos atletas
Erica Rodrigues Machado on O lugar perfeito para cuidar da sua beleza
Comendador Leamir Antunes da Rocha on FEBACLA – A federação que enaltece a cultura
Jamile Yasmin da Silveira Braga on Quer ser capa de revista, então, vem com a gente!
Iracema di Castro Kelemen on PARNAMIRIM Base Norte-Americana nos Trópicos
Iracema di Castro Kelemen on PARNAMIRIM Base Norte-Americana nos Trópicos
MARUSA CRISTINA DE SOUZA GARCIA on GASTRONOMIA ARTESANAL NA VILA MADALENA