quinta-feira, julho 2, 2026
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Black Friday e Natal

Black Friday e Natal.

GUSTAVO MALAVOTA – Sócio fundador do Grupo Mola, fundador do Instituto Vendas. Mestre em Gestao e Desenvolvimento, graduado em Marketing pela ESPM . Nos últimos 15 anos , capacitou mais de 150 mil vendedores e líderes no Brasil e no mundo.

As datas de alta expectativa para maiores volumes de vendas estão chegando: Black Friday e o Natal são momentos cruciais para o varejo, tanto físico quanto digital. Nessas ocasiões, o desempenho da equipe de vendas é um fator determinante para o sucesso das operações, já que a elevação da demanda exige agilidade, precisão, capacidade de atendimento e integração entre diferentes áreas da empresa.


No Brasil, o impacto dessas datas no comportamento de compra é evidente. Segundo dados da Serasa Experian, o varejo físico registrou um aumento de 18,7% nas vendas durante a semana da Black Friday de 2024 em relação ao ano anterior, enquanto o varejo restrito, segundo o IBGE, encerrou o ano com crescimento de 4,7%, o melhor desempenho desde 2012. Esses números refletem um cenário de oportunidades, mas também de riscos, pois os picos de volume intensificam pressões sobre equipes, sistemas e processos.


A preparação adequada das equipes para essas datas vai muito além do reforço de pessoal. Ela envolve planejamento antecipado, treinamento direcionado, revisão logística e integração tecnológica. O desafio começa meses antes dos eventos.
Varejistas que planejam sua estratégia de Black Friday com antecedência de três a seis meses apresentam resultados superiores, pois conseguem estruturar cronogramas de contratação, treinar equipes temporárias, testar infraestrutura de sistemas e prever gargalos de atendimento e estoque. A preparação antecipada também permite ajustar a comunicação interna e alinhar metas, evitando que as equipes sejam pegas de surpresa pela intensidade do período.


No contexto brasileiro, a contratação temporária é um dos elementos centrais dessa preparação. De acordo com dados do Statista, as contratações sazonais para o Natal continuam representando uma parcela relevante das vagas criadas no varejo no fim do ano. Contudo, apenas recrutar mais pessoas não garante eficiência.
A integração e o treinamento desses colaboradores temporários são essenciais para manter a qualidade do atendimento. Muitas empresas falham nesse ponto: inserem novos funcionários em funções críticas sem o devido preparo, o que resulta em falhas operacionais, lentidão nos processos e insatisfação do cliente. As equipes precisam dominar procedimentos de venda, políticas de troca, uso de sistemas de gestão e, principalmente, compreender a cultura de atendimento da marca. Um treinamento intensivo e prático, com simulações de cenários de alta demanda, é fundamental para assegurar consistência na experiência do cliente.


Além disso, a agilidade no atendimento é um dos fatores mais valorizados pelos consumidores e deve ser uma prioridade durante o preparo das equipes. Pesquisas indicam que mais de 60% dos entrevistados, em um relatório da Zendesk, apontam que conseguir resolver o problema rapidamente é o aspecto mais importante para considerarem uma experiência de atendimento como boa.
Outro fator importante que merece ressalva é que 65% dos clientes desejam comprar de empresas que ofereçam transações online rápidas e fáceis.Tempos longos de espera são vistos como um dos aspectos mais frustrantes do atendimento por mais de 55% dos clientes.
Em geral, a rapidez no atendimento é determinante para a satisfação e fidelização — superando, inclusive, o preço em algumas situações. Isso mostra que preparar as equipes para agir com eficiência e agilidade, especialmente em períodos de pico como a Black Friday e o Natal, é tão importante quanto investir em promoções ou em tecnologia de vendas.


Outro fator decisivo é o equilíbrio entre desempenho e bem-estar das equipes. Em períodos como a Black Friday e o Natal, jornadas prolongadas e metas agressivas podem causar esgotamento físico e mental, refletindo em queda de produtividade e aumento do absenteísmo. A gestão deve, portanto, adotar escalas inteligentes, oferecer pausas adequadas e estabelecer políticas de incentivo que valorizem o esforço coletivo. Bônus, comissões diferenciadas e reconhecimento público têm impacto direto na motivação e na entrega. Empresas que cuidam da saúde e da moral de suas equipes durante os períodos de pico tendem a reduzir falhas e a elevar o nível de comprometimento dos colaboradores.
No varejo físico, a preparação das equipes deve incluir aspectos operacionais como o reposicionamento de produtos, a organização do fluxo de clientes e o reforço no atendimento. O visual merchandising, a disposição estratégica de mercadorias e a rapidez no checkout são componentes decisivos para transformar o alto fluxo em vendas concretas.


Já no e-commerce, as equipes precisam estar alinhadas ao funcionamento das plataformas digitais, com atenção redobrada à performance dos sites, aos meios de pagamento e à gestão de pedidos. Reportagens da Computer Weekly apontam que falhas de sistema durante a Black Friday podem gerar prejuízos superiores a R$ 8 milhões para varejistas brasileiros, o que demonstra a importância de testes prévios e de planos de contingência bem definidos. O treinamento das equipes técnicas e de atendimento digital deve incluir protocolos para lidar com quedas de sistema, lentidão de site e volume excessivo de chamados em canais de atendimento como chat, WhatsApp e redes sociais.


O conceito de omnicanalidade também exige atenção especial durante as grandes campanhas. O consumidor contemporâneo não diferencia mais o ambiente físico do digital: ele quer comprar online e retirar na loja, ou experimentar um produto no ponto de venda e concluir a compra pelo aplicativo. Essa integração de canais, embora benéfica para a experiência do cliente, aumenta a complexidade operacional. As equipes precisam estar sincronizadas, compreendendo os fluxos de pedido, retirada, troca e devolução. Falhas na comunicação entre loja e e-commerce são comuns e custosas, especialmente em momentos de alta demanda. Treinamentos conjuntos e reuniões de alinhamento entre as áreas físicas e digitais são essenciais para garantir uma operação fluida e uma comunicação consistente com o cliente.


A logística e o estoque representam outra frente de preparação crítica. Durante a Black Friday e o Natal, rupturas de estoque, atrasos em entregas e falhas na reposição são problemas recorrentes. A equipe de back-office deve ser reforçada e instruída para lidar com o aumento de pedidos, garantindo controle preciso sobre entradas, saídas e prazos. No pós-venda, o desafio se estende à logística reversa, com a gestão de trocas e devoluções. Um atendimento rápido e transparente nessa fase tem impacto direto na fidelização. A percepção de eficiência e cuidado no pós-venda aumenta as chances de recompra e fortalece a reputação da marca.


Do ponto de vista estratégico, o uso de dados e indicadores é fundamental para avaliar o desempenho das equipes e corrigir rumos em tempo real. Métricas como taxa de conversão, tempo médio de atendimento, índice de devoluções, satisfação do cliente e nível de ruptura de estoque permitem decisões ágeis e embasadas. Equipes preparadas devem ser treinadas não apenas para executar tarefas, mas também para compreender esses indicadores e agir sobre eles. A cultura de dados no varejo, embora ainda em evolução no Brasil, já é um diferencial competitivo nas empresas que buscam profissionalizar sua operação de ponta a ponta.


Por fim, a preparação para as grandes datas deve ser encarada como um ciclo contínuo de aprendizado. Após a Black Friday e o Natal, é fundamental que as lideranças realizem análises pós-evento, reunindo dados e feedbacks das equipes para identificar acertos e pontos de melhoria. O aprendizado acumulado é o que garante evolução a cada nova temporada de alto volume. O varejo brasileiro, ao consolidar práticas de planejamento antecipado, capacitação constante e gestão humanizada, tende a transformar o desafio das grandes campanhas em uma vantagem competitiva sustentável.


Em síntese, preparar equipes para períodos de alta demanda é mais do que um exercício operacional; é um investimento estratégico na eficiência, na reputação e na rentabilidade da empresa. As organizações que tratam a Black Friday e o Natal como meros eventos promocionais correm o risco de se perder em meio ao caos das vendas. Já aquelas que enxergam nesses momentos uma oportunidade de consolidar processos, alinhar equipes e fortalecer a experiência do cliente estão mais bem posicionadas para prosperar em um cenário de varejo cada vez mais competitivo, digital e exigente.

Alessandra Astolphi
Alessandra Astolphihttp://namidia.com.br
Alessandra tem passagens por alguns dos maiores veículos de comunicação do estado de São Paulo, como Editora Abril, Folha de São Paulo, Estadão, Diário do Grande ABC e Revista Livre Mercado. Colunista dos portais de notícias Tô na Band e São Paulo em Destaque e está à frente dos portais Economia SA, com foco em negócios, e Viajar SA. É sócia-diretora da Business Group Events, agência 360º, única no mercado que atende desde projetos para redes sociais e artistas até negociação de shows e eventos.
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