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A relação entre alimentação e memória afetiva

A relação entre alimentação e memória afetiva

Comidas que relembram a infância carregam diversos sentimentos acolhedores

Quem nunca lembrou de uma memória de infância enquanto comia alguma coisa? Isso parece ser coincidência, mas a ciência explica por que certas comidas relembram memórias afetivas e nostálgicas de épocas que já passaram.

Cada um de nossos sentidos – olfato, paladar, tato, audição e visão – ativa diferentes partes do nosso cérebro. Entre eles, o olfato e o paladar são os que se conectam com o sistema límbico, o que faz com que esses sentidos estejam ligados diretamente a sentimentos e memórias das pessoas.

Memória gustativa

Quando temos contato com comidas que nos relembram a infância, não é só o gosto delas que é revivido, mas também o momento daquela memória, as pessoas, os cheiros e todos os outros sentimentos que criamos daquele momento.

Esse tipo de memória, ativado por comidas, é chamado de memória gustativa, justamente por conta de a comida ser responsável por ativar memórias antigas.

A relação entre alimentação e memória afetiva

(Créditos: pondsaksit  / iStock)

Para além do prato pronto

É por isso que é indicado incluir todos os membros da família no preparo e na refeição pelo menos uma vez ao dia. Dessa forma, a criança e os mais velhos podem vivenciar experiências sensoriais diversas, por meio da refeição à mesa.

Um estudo feito em Harvard, inclusive, descobriu que crianças que jantavam regularmente em família comiam mais frutas, tinham menor índice de obesidade e menor probabilidade de desenvolver obesidade no futuro, além de taxas menores de depressão e, em geral, notas maiores que outras crianças que não tinham o mesmo hábito familiar.

O levantamento mostra como a comida é muito importante não só pela questão nutritiva, mas também pelo desenvolvimento emocional de quem a consome. Além disso, a estratégia emocional pode também ser usada em idosos que tenham alguma dificuldade para comer.

A Universidade Estadual de Washington realizou uma pesquisa com 81 idosos para entender por que cada um escolheu uma determinada comida em um café da manhã. O resultado foi que grande parte dos idosos respondia que a nostalgia e a emoção foram determinantes para a escolha.

Dessa forma, os pesquisadores entenderam que conversar com o lado afetivo que a comida trazia pode ser um facilitador para cuidar de casos em que pessoas tenham alguma dificuldade para comer. Lembrando sempre que cada caso é um caso, e a consulta com um especialista é essencial quando existem sintomas de dificuldade para comer.

Clássicos que despertam aconchego

Algumas receitas são clássicas para trazer de volta uma memória guardada. Por isso, aqui vão algumas dicas de como pensar em pratos para fazer em dias que a saudade bate ou apenas quando queremos relembrar o passado.

Cada família possui uma tradição. Às vezes, é aquele prato que sempre fazemos em reunião familiar. Ou, então, a forma de preparo ou até mesmo as tradições antigas de descendentes de outros países.

Então, a dica é procurar por livros de receitas que a família tenha. Eles são sempre os melhores lugares para pegar a dica secreta que fazia o prato ser ainda mais especial, Ou até mesmo, aquela receita sagrada de algum molho especial que fazia a diferença na salada.

Para quem não gosta tanto de cozinhar, mas ainda quer ter essa experiência, a melhor dica é focar em opções clássicas. Ou seja, como uma receita de bolo de chocolate ou de fubá. Além de sopas e caldos, entre outras opções que são mais rápidas e simples de fazer.

Portanto, lembre-se também de sempre incluir as pessoas para ajudar no preparo e na apreciação do resultado final. Assim, a tradição de manter a memória afetiva se mantém viva, seja com amigos, família ou colegas de trabalho.

Uiara Zagolin
Uiara Zagolin
Jornalista e Editora do portal NA MIDIA; Correspondente Internacional; Diretora de Relações Internacionais da FEBRACOS Federação Brasileira de Colunistas Sociais; Vice-Presidente da APACOS Associação Paulista de Colunistas Sociais; Delegada Regional da Associação Internacional de Imprensa; membro da Worldwide Association of Female Professionals; Imortal na Academia de Artes de São Paulo e Academia Mundial de Letras. Com formação no Canadá, EUA e UK
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