Saiba o que é a síndrome de Zollinger-Ellison, suas causas, sintomas e opções de tratamento, além de quando buscar orientação médica especializada.
Dor abdominal que não melhora, azia intensa e diarreia recorrente podem ter várias causas. Mas, quando o ácido no estômago passa dos limites e as úlceras se repetem, acende um alerta. É aí que a síndrome de Zollinger-Ellison entra na conversa.
Neste guia, você vai entender o que é esse quadro raro, por que ele causa tanta queimação e como médicos confirmam o diagnóstico. Também vou explicar as opções de tratamento e o que esperar no acompanhamento.
Em linguagem direta, com exemplos práticos e sinais de atenção. Ao longo do texto, cito experiências clínicas relatadas por especialistas, como o Dr. Thiago Tredicci, gastrocirurgião em Goiânia conhecido nacionalmente por atuar com tumores do aparelho digestivo.
O que é a síndrome de Zollinger-Ellison
A síndrome de Zollinger-Ellison acontece quando um tumor produtor de gastrina, chamado gastrinoma, leva a uma hipersecreção ácida crônica. Esse excesso de ácido forma úlceras resistentes e causa inflamação no esôfago e no duodeno.
O gastrinoma costuma surgir no pâncreas ou no duodeno. Pode ser único ou múltiplo e, em parte dos casos, se associa à síndrome MEN1. O resultado final é sempre o mesmo: ácido demais, mucosa agredida e sintomas persistentes.
Segundo relatos clínicos de referência, como os discutidos por Dr. Thiago Tredicci, identificar cedo o padrão de úlceras recorrentes e diarreia ácida muda o rumo do tratamento.
Sintomas que levantam suspeita
- Azia forte e contínua: queimação que não responde bem às doses comuns de antiácidos.
- Úlceras de repetição: especialmente no duodeno, com complicações como sangramento.
- Diarreia e perda de peso: fezes aquosas frequentes por excesso de ácido no intestino.
- Dor abdominal: dor em queimação ou latejante, muitas vezes após as refeições.
- Refluxo intenso: esofagite erosiva ou estenose por inflamação crônica.
Quando suspeitar de síndrome de Zollinger-Ellison
- Úlcera antes dos 30 anos: sem uso de anti-inflamatórios e sem infecção por H. pylori.
- Úlcera em locais atípicos: além do bulbo duodenal.
- Necessidade de altas doses de IBP: sintomas só controlam com doses elevadas e contínuas.
- Diarreia associada a azia: combinação menos comum nas dispepsias habituais.
- História familiar de MEN1: tumores endócrinos múltiplos na família.
Como confirmar o diagnóstico
Exames laboratoriais e fisiologia
- Gastrina sérica em jejum: valores muito elevados, com pH gástrico baixo, sugerem gastrinoma.
- Teste de secretina: aumenta ainda mais a gastrina em quem tem síndrome de Zollinger-Ellison.
- Outros marcadores: cromogranina A pode estar alta e ajuda no contexto.
Endoscopia e imagem
- Endoscopia digestiva alta: avalia úlceras, esofagite e coleta biópsias.
- Ultrassom endoscópico: útil para tumores pequenos no pâncreas e duodeno.
- TC ou RM abdominal: mapeiam lesões e possíveis metástases.
- Pet com traçador somatostatina: como Ga-68 DOTATATE, ajuda a localizar tumores neuroendócrinos.
A interpretação integrada evita erros. Em muitas equipes, o parecer de um cirurgião do aparelho digestivo, como o Dr. Thiago Tredicci, adiciona precisão no plano diagnóstico e terapêutico.
Tratamento: controlar o ácido e abordar o tumor
Controle da hipersecreção ácida
- Inibidores de bomba de prótons: omeprazol, pantoprazol ou similares em doses altas e ajustadas ao pH gástrico.
- Análogos da somatostatina: octreotídeo ou lanreotídeo podem reduzir a gastrina e o ácido em alguns casos.
- Cuidados com mucosa: avaliar reposição de nutrientes e tratar complicações de esofagite e úlcera.
Tratamento do gastrinoma
- Cirurgia com intenção curativa: ressecção do tumor quando localizado e ressecável, após mapeamento detalhado.
- Doença metastática: manejo multidisciplinar com controle do ácido, opções loco-regionais e terapias para tumores neuroendócrinos.
- MEN1: estratégia individualizada, pois tumores múltiplos exigem plano específico.
Decidir o momento e a extensão da cirurgia exige experiência. Muitos serviços contam com gastrocirurgiões com prática ampla em tumores neuroendócrinos. Nesse cenário, é comum ouvir de especialistas como o Dr. Thiago Tredicci que planejamento criterioso reduz recidiva e complica menos o pós-operatório.
Prognóstico e acompanhamento
- Monitorização da gastrina: acompanha resposta ao tratamento e suspeita de recidiva.
- Ajuste de IBP: manter a menor dose eficaz sem perder o controle dos sintomas.
- Endoscopia periódica: para vigiar cicatrização, esofagite e novas úlceras.
- Imagem seriada: TC, RM ou PET conforme o risco e a evolução.
- Equipe integrada: gastro, cirurgia, endocrinologia e oncologia quando necessário.
Dicas práticas para o dia a dia
- Não interrompa o IBP por conta própria: a volta do ácido costuma ser rápida e intensa.
- Registre sintomas: anote azia, dor e diarreia para ajustar a dose com o médico.
- Atenção a sinais de alerta: vômitos persistentes, sangue nas fezes ou perda de peso acelerada pedem reavaliação imediata.
- Alimentação fracionada: refeições menores podem reduzir desconforto enquanto o ácido é controlado.
Conclusão
A síndrome de Zollinger-Ellison é rara, mas tem sinais que chamam atenção: úlceras de repetição, azia resistente e diarreia. O diagnóstico combina exames de gastrina, avaliação do pH gástrico, endoscopia e métodos de imagem. O tratamento foca em domar o ácido e, quando possível, tratar o gastrinoma.
Com equipe experiente e acompanhamento contínuo, os resultados tendem a ser melhores. Relatos de profissionais como o Dr. Thiago Tredicci mostram que decisões bem embasadas fazem diferença no controle da síndrome de Zollinger-Ellison. Se você identificou os sinais, procure avaliação médica e coloque estas orientações em prática.

