Setor de transporte: desafios e soluções em tempos de ESG.
O setor de transporte é um dos pilares da economia brasileira. Ele movimenta cargas, pessoas, produtos e serviços diariamente, conectando cidades, estados e países.
No entanto, sua relevância econômica contrasta com a complexidade de seus desafios, principalmente em tempos onde a agenda de ESG (ambiental, social e governança) se impõe como norteadora das decisões empresariais e políticas públicas.
Nos últimos anos, a necessidade de alinhar práticas sustentáveis com eficiência operacional colocou o transporte sob os holofotes.
O aumento da pressão por soluções menos poluentes, mais inclusivas e transparentes exige uma reestruturação profunda no modo como o setor opera.
Em paralelo, inovações tecnológicas, mudanças no comportamento do consumidor e políticas regulatórias também estão forçando uma adaptação acelerada.
Neste novo cenário, não basta apenas mover bens de um ponto a outro: é preciso fazê-lo com responsabilidade ambiental, justiça social e boa governança corporativa.
O transporte como vetor de impacto ambiental
A dependência de combustíveis fósseis ainda é um dos principais gargalos do transporte brasileiro.
A frota nacional, em grande parte composta por caminhões antigos e mal conservados, é responsável por uma significativa emissão de gases de efeito estufa.
Essa realidade torna o setor um dos mais desafiadores quando se trata de alinhar práticas com os princípios de ESG sustentabilidade.
A emissão de poluentes não afeta apenas o clima, mas também a saúde pública, sobretudo nas regiões urbanas onde há maior concentração de veículos e baixa circulação de ar.
A poluição sonora, o desgaste da malha viária e os acidentes de trânsito completam o quadro de problemas que exigem atenção.
Além disso, o transporte de cargas no Brasil depende fortemente das rodovias, o que aumenta o impacto ambiental e eleva os custos logísticos.
Essa dependência dificulta a implementação de modelos mais limpos, como o transporte ferroviário e hidroviário, que são menos poluentes e mais eficientes em termos de capacidade.
Pressões sociais e expectativas da sociedade
O aspecto social do ESG também traz à tona questões importantes.
O transporte urbano, por exemplo, precisa garantir acessibilidade, segurança e qualidade para todos os usuários.
Ainda existem enormes desigualdades no acesso ao transporte público no Brasil, principalmente nas periferias das grandes cidades e em áreas rurais, onde a mobilidade é limitada ou inexistente.
Trabalhadores do setor de transporte, como motoristas, entregadores por aplicativos e operadores logísticos, também enfrentam desafios ligados à precarização do trabalho, jornada excessiva, baixos salários e falta de segurança.
A informalidade ainda é alta, e o uso de tecnologias para monitoramento e controle precisa ser equilibrado com o respeito aos direitos trabalhistas.
Neste contexto, práticas sociais responsáveis não são apenas desejáveis, mas se tornam estratégicas para empresas que desejam manter sua licença social para operar e atrair investimentos responsáveis.
Governança e o papel das empresas
No eixo da governança, o desafio está em criar estruturas transparentes e éticas que guiem a atuação das empresas de transporte.
Isso inclui desde a prestação de contas sobre impactos ambientais e sociais até o combate à corrupção em contratos públicos, passando pela adoção de critérios claros para seleção de fornecedores e parceiros.
Empresas do setor que adotam boas práticas de governança têm mais facilidade para acessar crédito, atrair investidores e firmar parcerias estratégicas.
Além disso, conseguem se preparar melhor para o cumprimento de exigências regulatórias, que tendem a se tornar mais rígidas nos próximos anos, à medida que os critérios ESG ganham força no mundo corporativo.
A digitalização dos processos, o uso de big data para a gestão da cadeia logística e a implementação de auditorias independentes são alguns dos caminhos adotados pelas empresas que querem garantir uma governança sólida e alinhada com os princípios do desenvolvimento sustentável.
O papel do setor público e da colaboração
Embora o setor privado tenha um papel central na transformação do transporte, o avanço efetivo depende da atuação conjunta com o poder público.
É necessário investimento em infraestrutura sustentável, incentivo à pesquisa e desenvolvimento, e políticas que estimulem a inovação.
A consultoria pública tem se mostrado uma ferramenta importante nesse processo.
Através de parcerias entre governos, universidades e empresas, tem sido possível desenvolver diagnósticos, propor soluções técnicas e orientar gestores na formulação de políticas mais eficazes.
Esse apoio é especialmente importante para prefeituras e estados que precisam modernizar seus sistemas de transporte, mas enfrentam limitações orçamentárias e técnicas.
Além disso, a implementação de políticas públicas eficazes requer participação social.
É preciso ouvir usuários, trabalhadores e comunidades impactadas para garantir que as soluções adotadas sejam justas e sustentáveis.
Inovação como motor de transformação
A transformação do setor de transporte passa, necessariamente, pela inovação tecnológica.
Já existem no mercado soluções que permitem a redução das emissões de carbono, o uso mais eficiente de combustíveis e a melhoria da logística urbana.
Entre essas inovações, destacam-se os veículos elétricos e híbridos, os sistemas de gestão de frotas baseados em inteligência artificial, os aplicativos de mobilidade compartilhada e os projetos de transporte autônomo.
Essas tecnologias não apenas reduzem o impacto ambiental, como também promovem mais eficiência, segurança e previsibilidade nas operações.
O transporte público também pode se beneficiar dessas inovações, com sistemas inteligentes de monitoramento de fluxo, bilhetagem eletrônica, integração entre modais e melhorias no conforto do usuário.
Tais melhorias não só aumentam a atratividade do transporte coletivo como também reduzem a dependência do transporte individual, que é mais poluente e menos eficiente.

Um setor em busca de equilíbrio
É interessante observar que, à medida que o setor de transporte se moderniza, também surgem novas demandas por cuidados com a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores.
Longas jornadas ao volante, má alimentação e estresse elevado são fatores que afetam diretamente a performance e o bem-estar dos profissionais da estrada.
Iniciativas que promovem a saúde física e mental dos trabalhadores, como programas de prevenção e acesso a produtos de qualidade, têm ganhado espaço.
Embora possa parecer fora do contexto, até produtos de bem-estar, como o colágeno tipo 2, têm sido utilizados por motoristas e trabalhadores que enfrentam dores articulares e problemas de postura causados pelo tempo prolongado sentados.
Esse cuidado reflete uma mudança de mentalidade: não basta apenas mover a carga, é preciso cuidar de quem a transporta.
O equilíbrio entre produtividade, bem-estar humano e responsabilidade ambiental é o novo desafio do transporte.
Não se trata mais de uma escolha, mas de um imperativo para quem quer se manter competitivo, relevante e sustentável.
Rumo a uma mobilidade regenerativa
O setor de transporte está passando por uma transformação inevitável e profunda.
As exigências do ESG não são modismos, mas reflexos de uma sociedade que exige responsabilidade com o planeta, com as pessoas e com a ética nos negócios.
Ignorar essa realidade significa correr o risco de se tornar obsoleto em um mundo que valoriza cada vez mais a sustentabilidade e a transparência.
Ao investir em tecnologia, melhorar a governança, cuidar das pessoas e reduzir impactos ambientais, o setor de transporte tem a oportunidade de liderar um novo modelo de desenvolvimento.
Um modelo que não apenas leva produtos de um lugar ao outro, mas que também move o país em direção a um futuro mais justo, limpo e inteligente.

