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Microrrobôs avançam da pesquisa para o centro cirúrgico

Microrrobôs avançam da pesquisa para o centro cirúrgico.

Da França aos EUA, tecnologias robóticas microscópicas abrem caminho para cirurgias antes impossíveis

Testes clínicos com microrrobôs em cirurgias cerebrais humanas estão previstos para 2026. Os dispositivos, com 1,8 milímetro de diâmetro, já demonstraram eficiência em estudos com animais realizados em centros médicos na França, conforme divulgado à imprensa francesa. 

Durante os ensaios pré-clínicos, os microrrobôs navegaram pelo cérebro em trajetórias curvas, minimizaram traumatismos e melhoraram a precisão cirúrgica. As primeiras aplicações em humanos serão cirurgias de microbiópsias de tumores cerebrais, segundo a equipe responsável.

Agulhas e cateteres tradicionais enfrentam barreiras de acesso em regiões profundas, muitas vezes inviabilizando a operação de tumores devido ao risco de lesão em áreas funcionais. Já com os microrrobôs, a navegação tridimensional programada supera essa barreira ao navegar em “3D” e desviar de estruturas críticas, recurso que permite ao neurocirurgião geral acessar regiões antes inviáveis. 

No ramo da cirurgia de precisão, três linhas de pesquisa se destacam no momento: o microrrobô neurocirúrgico desenvolvido na França, os sistemas de administração magnética de medicamentos feitos na Suíça e os dispositivos para remoção de coágulos criados nos Estados Unidos. 

Microrrobôs avançam da pesquisa para o centro cirúrgico

Os coágulos são as principais causas de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). Entre janeiro e abril de 2025, o Brasil registrou 18.724 mortes por AVC, equivalente a uma morte a cada sete minutos, segundo o Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil. Em 2024, foram 85.427 óbitos totais pela doença.

Tumores cerebrais são igualmente preocupantes, com até 10 mil mortes por ano causadas por câncer do Sistema Nervoso Central (SNC), de acordo com o DATASUS. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 11.490 novos casos de tumores do SNC por ano, sendo 6.110 em homens e 5.380 em mulheres. 

Uso de dispositivo com motor microscópico em 2030

O microrrobô da startup francesa Robeauté integra um micromotor de 0,8 milímetro e opera sob trajetórias pré-definidas pelo cirurgião. O procedimento, considerado minimamente invasivo, requer incisão de cinco milímetros, dimensão comparável às utilizadas pelo médico cirurgião geral em procedimentos laparoscópicos, e utiliza um lançador para injeção intracerebral. Um fio de conexão garante o rastreamento visual durante a operação, permitindo que a equipe médica mantenha o controle manual e intervenha se necessário.

A empresa foi fundada em 2017 pelo engenheiro mecatrônico francês Bertrand Duplat e pela executiva brasileira Joanna Cartocci. Segundo Duplat, a perda da mãe em 2007 para um glioblastoma inoperável o motivou a criar um dispositivo capaz de acessar regiões antes inalcançáveis do cérebro. 

A equipe desenvolve o produto com, aproximadamente, 70 especialistas em neurologia. Os testes em laboratório acontecem no hospital Pitié-Salpêtrière e em unidades dos Estados Unidos. Se aprovado na fase clínica, o dispositivo pode chegar ao mercado até 2030.

Esferas biocompatíveis transportam medicação 

Em uma linha semelhante, pesquisadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia (ETH), em Zurique, desenvolveram minirrobôs com tamanhos comparáveis a grãos de areia para transporte de medicamentos, conforme publicado na revista Science.

O mecanismo consiste em esferas microscópicas de gelatina que navegam pela corrente sanguínea sob controle magnético. Ao atingir o alvo, a cápsula se rompe no local, impedindo a dispersão sistêmica da substância pelo organismo.

Após validação in vitro em modelos humanos, os testes avançaram para a fase in vivo com ovelhas e porcos. A equipe usou fluoroscopia, um exame de imagem com raio-X, para monitorar a trajetória dos robôs. A técnica funcionou em contextos de alta dificuldade, incluindo vasoconstrições do SNC.

Segundo os pesquisadores, os testes em animais comprovaram a biocompatibilidade dos componentes. Se for aprovado para ensaios clínicos em humanos, a próxima etapa do projeto é a análise de viabilidade com voluntários.

A aplicação do sistema é defendida como alternativa para tratamentos que exigem medicação sistemática. As indicações incluem tumores cerebrais, processos infecciosos e desobstrução vascular em casos de AVC.

Milispinner desobstrui até 90% de coágulos complexos 

Cientistas da Universidade de Stanford apresentaram, em artigo publicado na Nature, o “milispinner”, uma nova tecnologia para remoção de coágulos sanguíneos. Dados da pesquisa indicam que o sistema supera em mais de duas vezes o desempenho dos métodos vigentes. Em casos de coágulos complexos, a taxa de sucesso na desobstrução arterial já na primeira tentativa atinge 90%.

O dispositivo insere um tubo oco e rotativo por meio de um cateter. O tubo possui pequenas abas e aberturas que criam uma força de sucção concentrada ao redor do coágulo. Ao girar, o dispositivo comprime e tritura o coágulo até reduzi-lo a 5% do seu tamanho original, mantendo-o intacto para evitar que pedaços se soltem e causem complicações.

A inovação pode aumentar o sucesso de tratamento de AVCs e embolias pulmonares. A tecnologia demonstrou um bom resultado contra trombos rígidos e ricos em fibrina. 

Uma empresa foi constituída pelos pesquisadores para licenciar a patente de Stanford e acelerar a introdução clínica. O milispinner também apresenta potencial para outras aplicações, como a remoção de fragmentos de cálculos renais.

Brasil é pioneiro na América Latina em cirurgias de coluna assistidas por robô

Em agosto de 2024, em Brasília, aconteceu a primeira cirurgia robótica de coluna da América Latina utilizando o sistema Cirq, totalizando 80 pacientes operados. O relatório médico confirmou diminuição na exposição à radiação e no tempo do procedimento em relação às técnicas padrões.

O método utiliza um sistema de navegação acoplado a um braço robótico. O planejamento pré-operatório utiliza tomografias ou ressonâncias para gerar modelos tridimensionais da coluna do paciente, guiando o robô na inserção precisa de parafusos e hastes.

O robô é usado principalmente em cirurgias de estabilização, conhecidas como artrodese. As principais indicações são fraturas ou traumas vertebrais, doenças degenerativas que causam instabilidade e dor crônica, e deformidades estruturais que comprometem a mobilidade.

A expectativa é expandir o uso da robótica para descompressão neurológica em breve. Embora a técnica ainda esteja em fase de difusão no Brasil e restrita a poucas equipes capacitadas, os benefícios incluem maior precisão, redução de riscos e recuperação pós-operatória acelerada.

 

 

Andrezza Barros
Andrezza Barroshttps://www.namidia.com.br
Jornalista, entrevistadora e assessora de imprensa brasileira. É CEO do site andrezzabarros.com, onde realiza entrevistas com os mais diversos públicos, desde empresários, cantores, atores, médicos, políticos, entre outros indivíduos que queiram contar um pouco da sua história ao público. Além desses, Andrezza também comanda o site deadlinews.com.br e é sócia do site materialivre.com.
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