Excesso de informações e a nossa inteligência existencial.
FOMO: Como o excesso de informações afeta a nossa inteligência existencial
O medo de ficar por fora das atualizações, mesmo que inúteis, consome nosso cérebro e tira o foco de outras atividades mais proveitosas, alerta a auditora e pesquisadora do CPAH, Flávia Ceccato, autora do livro “Descobrindo a Inteligência Existencial: Ferramentas, Insights e Implicações”
A sensação de que algo importante está acontecendo enquanto não estamos olhando para a tela se tornou um traço marcante da vida contemporânea. Conhecido pela sigla FOMO, do inglês “Fear of Missing Out”, o fenômeno descreve o medo constante de ficar por fora de informações, tendências, conversas ou experiências.
Impulsionado pelo fluxo enorme e ininterrupto de conteúdos nas redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de notícias, esse comportamento vai além da ansiedade momentânea e começa a afetar dimensões mais profundas da vida psíquica, como a inteligência existencial.
Excesso de informações e a nossa inteligência existencial
A inteligência existencial está ligada à capacidade de refletir sobre propósito, sentido de vida, valores e escolhas conscientes. Quando o indivíduo vive em estado permanente de alerta informacional, essa dimensão tende a ser enfraquecida. O excesso de estímulos fragmenta a atenção, dificulta a autorreflexão e reduz o espaço mental necessário para perguntas fundamentais sobre quem somos, para onde estamos indo e por que fazemos o que fazemos.
“O medo de ficar por fora das atualizações, mesmo que inúteis, consome nosso cérebro e tira o foco de outras atividades mais proveitosas”, afirma a auditora e pesquisadora do CPAH, Flávia Ceccato, autora do livro Descobrindo a Inteligência Existencial: Ferramentas, Insights e Implicações.
“O FOMO cria uma falsa sensação de urgência, o que mantém o indivíduo preso ao externo nessa situação, enquanto questões internas, que exigem silêncio e profundidade, são constantemente adiadas”, alerta.
Sobrecarga de informações
Do ponto de vista cognitivo, o excesso de informações sobrecarrega os sistemas de atenção e tomada de decisão. O cérebro passa a operar em modo reativo, respondendo a notificações, tendências e estímulos imediatos, em vez de atuar de forma deliberada. Esse funcionamento contínuo em estado de alerta reduz a capacidade de fazer escolhas alinhadas a valores pessoais, um dos pilares da inteligência existencial.
“Outro impacto muito importante está na construção da identidade, quando nos comparamos constantemente com narrativas editadas e recortes idealizados da vida alheia, o indivíduo tende a medir suas próprias escolhas a partir de parâmetros externos. Isso enfraquece o senso de autoria da própria trajetória e alimenta uma percepção de inadequação constante, como se sempre estivesse faltando algo para estar ‘no lugar certo’”.
“Quando a mente está ocupada demais tentando acompanhar tudo o que acontece fora, ela perde a capacidade de elaborar o que acontece dentro. A reflexão existencial não surge no excesso, mas no espaço”, afirma.
Raízes bem mais profundas
O crescimento do FOMO também reflete uma mudança cultural mais ampla, em que estar informado passou a ser confundido com estar preparado ou realizado. No entanto, informação sem reflexão não gera sabedoria. A inteligência existencial depende da capacidade de selecionar, filtrar e atribuir significado, habilidades que se perdem quando tudo parece igualmente urgente e relevante.
“Diante disso, repensar a relação com o consumo de informações não é apenas importante, é fundamental para preservar a saúde mental e existencial. Reduzir estímulos não significa se alienar, mas criar condições para que a mente volte a operar com profundidade”, destaca Flávia Ceccato.

Sobre Flávia Ceccato
Flávia Ceccato Rodrigues da Cunha é uma profissional de perfil acadêmico diversificado e auditora no Tribunal de Contas da União (TCU), com vasta experiência em supervisão financeira pública. Formada em Física pela Universidade Cruzeiro do Sul (2024), complementou sua formação com uma Pós-graduação Lato Sensu em Ensino de Astronomia (2023) e uma Especialização em Intervenção ABA para Autismo e Deficiência Intelectual pelo Centro Universitário Celso Lisboa (2025). Sua trajetória acadêmica também inclui um Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um Mestrado em Regulação e Gestão de Negócios pela Universidade de Brasília (UnB).
Como escritora, Flávia destaca-se pela aplicação da Lei de Benford em auditorias de obras públicas, sendo autora de artigos e do livro Seleção de Amostra de Auditoria de Obras Públicas pela Lei de Benford, que oferece uma abordagem prática e didática para fiscalizadores e pesquisadores. Seu trabalho analisou casos como a reforma do Aeroporto Internacional de Minas Gerais e as construções das Arenas da Amazônia e do Maracanã, focando na identificação de sobrepreços. Além disso, prepara o lançamento de Existential Intelligence: Tools, Insights and Implications para maio de 2025, expandindo seus interesses para além da auditoria, explorando a inteligência existencial e suas aplicações.
Flávia também atuou como analista de finanças e controle na Controladoria-Geral da União e como analista tributária na Receita Federal do Brasil. Membro de sociedades de alto QI e filosóficas, como Mensa Brasil, Intertel, International Society for Philosophical Enquiry (ISPE), VeNus High IQ Society e Infinity International Society, ela é uma palestrante frequente em eventos internacionais, unindo expertise em regulação, cognição e pesquisa interdisciplinar. Atualmente, é pesquisadora no CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e diagnosticada com superdotação profunda.

