Uma sequência de denúncias tem causado revolta entre lojistas do Brás, um dos maiores polos de moda do país. Comerciantes afirmam ter sido vítimas de sucessivos calotes após negociações com Alynne Oliveira Fernandes Alves, apontada nos relatos como responsável por retirar grandes quantidades de mercadorias de lojas da região e, depois, não quitar os valores devidos.
Segundo os lojistas ouvidos, a estratégia seguia um padrão que, à primeira vista, transmitia confiança. A mulher se apresentava como alguém ligada à assessoria de lojas, circulava entre comerciantes, fazia contatos, conquistava credibilidade e realizava compras iniciais com pagamento. Com isso, construía uma relação de aparente seriedade. Mas, de acordo com os relatos, após ganhar confiança, voltava a fazer novas retiradas de roupas, pedia prazo para pagamento e, depois, deixava de acertar os débitos.
O impacto, segundo comerciantes prejudicados, foi expressivo. Sacos e volumes de mercadorias teriam sido retirados de diferentes lojas, gerando prejuízos financeiros para empresários e famílias que dependem diretamente do comércio para sobreviver. Em meio às denúncias, diversos lojistas afirmam já ter registrado boletins de ocorrência, reunido provas, fotos, mensagens, comprovantes e imagens das mercadorias retiradas.
As acusações vão além do não pagamento. De acordo com os relatos, comerciantes descobriram que parte das peças teria sido revendida em uma loja de brechó. As roupas, que originalmente tinham valor médio acima de R$ 100, estariam sendo repassadas por cerca de R$ 35, muito abaixo do preço de mercado. A suspeita levantada pelos lojistas é de que as mercadorias retiradas sem pagamento estariam sendo convertidas rapidamente em dinheiro por meio dessa revenda.
Ainda segundo os denunciantes, ao ser cobrada, a investigada apresentava justificativas frequentes, como problemas com clientes, falta de repasse, dificuldades financeiras e até alegações envolvendo doença na família. Enquanto isso, os lojistas seguiam sem receber, acumulando prejuízos, compromissos atrasados e uma sensação crescente de indignação.
Comerciantes também relataram que, ao buscar informações sobre a revenda das peças, ouviram que os pagamentos nessa loja de brechó seriam feitos à vista no ato da entrega. Ou seja: enquanto lojistas do Brás aguardavam pela quitação dos valores, as mercadorias já teriam sido transformadas em venda imediata em outro ponto comercial.
O caso acendeu um alerta entre lojistas da região, que agora reforçam a necessidade de mais cautela nas negociações, principalmente quando há retirada de grandes volumes mediante promessa de pagamento posterior. Para quem vive da venda de moda, o prejuízo não atinge apenas números: atinge o sustento da casa, o salário de funcionários, o pagamento de fornecedores e a sobrevivência de negócios inteiros.
A repercussão do caso cresce à medida que mais comerciantes relatam histórias semelhantes. Nos bastidores do Brás, o sentimento é de revolta. Para os lojistas prejudicados, não se trata apenas de um atraso ou de uma dívida comercial, mas de uma situação que, segundo eles, deixou um rastro de prejuízos, insegurança e desespero.
Agora, os denunciantes cobram investigação, responsabilização e justiça. E fazem um apelo direto ao comércio: que outras lojas fiquem em alerta para evitar novos prejuízos.
Importante: as denúncias relatadas nesta matéria são baseadas em relatos de lojistas, registros de boletins de ocorrência e materiais reunidos pelos comerciantes. Eventual prática de crime deverá ser investigada pelas autoridades competentes, com apuração dos fatos, assegurado o direito de defesa e manifestação das pessoas citadas.

