Como o custo de vida tem mudado os hábitos das famílias.
Orçamento familiar: como o custo de vida tem mudado os hábitos das famílias
A inflação se faz sentir sobretudo nos principais itens de consumo, como a alimentação, pressionando o bolso dos brasileiros
O alto custo de vida no Brasil não é nenhuma novidade para as famílias. A desigualdade de renda, o baixo valor do salário mínimo e a inflação pesam no orçamento doméstico e impactam a qualidade de vida diretamente. Atualmente, o custo de vida médio no país gira em torno de R$ 3.250 mensais, segundo a Serasa.
(Créditos: Pekic / iStock)
O impacto do custo de vida no bolso dos brasileiros
De acordo com o IBGE, o rendimento individual médio mensal do trabalhador brasileiro é de R$ 3.613. Contudo, quando levado em conta o rendimento per capita domiciliar, este valor já cai para R$ 2.264. Já quando aplicada a mediana da renda para identificar qual valor separa a distribuição de renda no país, o resultado é discrepante.
Cerca de metade da população brasileira vive com menos de R$ 1.300 por mês. Ou seja, é praticamente impossível para esse grupo de pessoas conseguir suprir com qualidade suas necessidades básicas, como alimentação, moradia, vestimenta, lazer, entre tantas outras.
Mudanças de hábitos e reconfiguração do orçamento doméstico
O aumento do valor de insumos, como a própria comida e o combustível, pressiona ainda mais essa realidade. Segundo o IBGE, a inflação acumulada de 2020 ao primeiro semestre de 2026 passou dos 40%, puxada principalmente pelo aumento dos custos de alimentação, saúde e moradia, mais notadamente nos aluguéis.
De acordo com levantamento também da Serasa, 70% dos brasileiros notaram aumento nos custos desses e de outros produtos e, consequentemente, maior pressão sobre o orçamento doméstico – ainda que, de acordo com os números do Governo Federal, tenha ocorrido um aumento na renda e o desemprego esteja em baixa.
Para tentar algum alívio, ainda que imediato, muitas pessoas recorrem ao crédito, algo que pode se revelar um grande erro. Com uma das maiores taxas de juros sobre crédito no mundo, a chance de um descontrole financeiro e de um grande endividamento se multiplica. Ao contrário, o ideal a se fazer em um cenário como este é adequar o consumo.
Estratégias de economia na rotina das famílias brasileiras
Em um primeiro momento, rever serviços pode significar um bom alívio. Repensar assinaturas de streaming e mensalidades, diminuir o consumo de comida por aplicativo, entre outras soluções, podem representar uma economia maior ao final do mês.
Já no momento de fazer as compras, repensar as marcas que usa, optando por outras mais em conta em substituição, bem como comparar preços e preferir os supermercados mais baratos, são tarefas de grande valia. Muitos lugares fazem ofertas em determinados dias da semana, o que pode ser aproveitado. As feiras livres também costumam ser mais baratas.
Procurar por iniciativas de descontos e subsídios, como o projeto Gás do Povo, também ajuda a diminuir as despesas mensais com a cozinha, principalmente para as famílias de baixa renda. Com maior planejamento financeiro e um consumo mais consciente, é possível enfrentar o problema com menos pressão sobre o orçamento.

