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2026: o ano que não vai perdoar o improviso

2026: o ano que não vai perdoar o improviso.

Empreendedores discutem visão, metas, práticas de planejamento & gestão e impacto tributário em encontro prático e sem rodeios

Na noite de 26 de janeiro, a Auddas reuniu empreendedores em uma mentoria online, gratuita, ao vivo que tratou, sem rodeios, de dois temas que vão pressionar decisões em 2026: planejamento e reforma tributária. A sessão foi conduzida por Rogerio Vargas, sócio da Auddas, em parceria com André Adolfo, CEO e sócio da BWA Global, com uma proposta clara: menos palestra, mais utilidade. Um encontro para organizar prioridades, traduzir o cenário e colocar o que parece abstrato no chão da operação.

O ponto de partida foi reconhecer uma verdade que quase ninguém diz em voz alta no ecossistema empreendedor. A jornada é solitária e, por isso, o formato importa. Rogério abriu a conversa explicando por que a mentoria em pequenos grupos não é “mais um evento”, mas um jeito de acelerar decisões com contexto real. “Para a gente que empreende, ao empreender, essa jornada é muito solitária. Então, a gente tem feito esse formato prático e útil para sócios e empreendedores sairem com ações de implementação imediata”, afirmou.

2026: o ano que não vai perdoar o improviso

A dinâmica também foi desenhada para evitar respostas genéricas. “Cada negócio é único, tem seu momento, seu contexto. Então dentro do possível a gente vai tentar endereçar pautas específicas”, disse Rogério, ao justificar o modelo de mesa redonda e o espaço para perguntas no chat. Ao falar de planejamento, Vargas trouxe um recado que alivia e, ao mesmo tempo, cobra maturidade. Planejar não é prever com exatidão. É construir direção. “Como bola de cristal a gente não tem, a jogada é muito mais de norte do que propriamente precisão”, resumiu. E reforçou que planejamento bom não aprisiona a empresa. Ele dá mobilidade com critério. “Planejamento não é camisa de força. O planejamento é vivo”, disse.

A base de tudo começa antes de metas e planilhas. Começa na visão. “A visão do sócio, de fato, é chave”, afirmou Rogério, defendendo que a estratégia precisa partir de quem entendeu a oportunidade, o cliente e a experiência que deve ser entregue. É essa visão que se transforma em frentes estratégicas e, depois, em execução. Metas entram como consequência e não como fetiche de performance. “A meta tem a ver com necessidade do negócio”, explicou, conectando metas a dividendos esperados, investimentos e orçamento.

Se a palavra que mais se repetiu na parte de planejamento foi priorização, o porquê também foi direto. Negócio sem foco vira gerúndio permanente. Muita coisa “já está sendo feita”, mas pouca coisa é realmente resolvida. Por isso, Rogério insistiu que a disciplina de escolher o que vem primeiro deixa de ser boa prática e vira condição de sobrevivência e evolução.

Mudando o clima para o foco tributário, André Adolfo da BWA Global foi explícito ao reconhecer o sentimento geral do empresário diante do tema. “Já não era fácil a vida nesse contexto tributário no Brasil. Agora ficou mais divertido um pouquinho”, disse, com ironia. Neste sentido, o recado é claro: a reforma tributária não é apenas um assunto do contador. “Ela mexe em preço, caixa, contratos e competitividade, impactando a rotina financeira de muitas empresas, especialmente na contratação de serviços e na formação de preço. O risco está maior para as empresas que olham apenas para margem e ignoram o efeito de capital de giro”, explicou.

O alerta se repetiu em outro ponto sensível. A forma de contratar e a formalidade fiscal passam a ser parte da estratégia de sobrevivência, não um detalhe burocrático. Na visão de André, eficiência tributária e conformidade deixam de ser diferencial e viram o mínimo para competir. O recado é duro, mas pragmático: “o jogo tende a punir quem não se preparar”.

Ao longo da mentoria, o que apareceu com força foi o valor do encontro quando ele sai do discurso e entra no caso real. Gestores e donos de negócios trouxeram dúvidas de contratos longos, repasse de crédito, impacto no fluxo de caixa, estrutura societária, sucessão, precificação e a dificuldade de negociar com o mercado quando o custo muda, mas o cliente resiste. E a orientação convergiu para uma ideia central: planejamento financeiro, análise de performance e revisão tributária precisam caminhar juntos. O que antes era “importante” agora passa a ser “vital”.

Ao final, Rogério reforçou a importância de acompanhar o ciclo completo do negócio, do norte estratégico à execução com governança, gestão e capital / planejamento financeiro. Mas a frase que melhor explica a noite talvez seja a mais simples. “O encontro foi um lembrete de que 2026 não vai perdoar o improviso. E de que estratégia, hoje, é menos sobre adivinhar o futuro e mais sobre criar estrutura para responder a ele com velocidade e critério”, finaliza.

 

 

Alessandra Astolphi
Alessandra Astolphihttp://namidia.com.br
Alessandra tem passagens por alguns dos maiores veículos de comunicação do estado de São Paulo, como Editora Abril, Folha de São Paulo, Estadão, Diário do Grande ABC e Revista Livre Mercado. Colunista dos portais de notícias Tô na Band e São Paulo em Destaque e está à frente dos portais Economia SA, com foco em negócios, e Viajar SA. É sócia-diretora da Business Group Events, agência 360º, única no mercado que atende desde projetos para redes sociais e artistas até negociação de shows e eventos.
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