TikTok VS Reels. Quem leva essa disputa?  Na semana passada dei uma entrevista cujo tema era comportamento midiático pós COVID19. E, claro, a disputa do TikTok VS Reels não poderia ficar de fora dessa pauta.

Antes de mais nada, quero deixar claro que migrações midiáticas não são exclusivas do ambiente digital. Muito pelo contrário. Da prensa de Gutenberg para cá, o comportamento migratório do consumo de comunicação acompanhou os desenvolvimentos tecnológicos de suas respectivas épocas.

Por outro lado, com a redemocratização dos meios de comunicação através das redes sociais, as migrações midiáticas ganharam características de pirâmides econômicas. Todo mundo quer ser um influenciador de sucesso. E, para isso, precisa encontrar um nicho de conteúdo para crescer sua audiência.

O problema é que o Instagram parece ter atingido sua maturidade (assim como o Facebook antes dele). Daí veio o boom do TikTok. O algoritmo do TikTok funciona através da lógica da verticalidade e do rankeamento de contas e conteúdos. Sendo assim, uma conta recém estreante
tem um potencial viral maior do que uma conta que postou um monte de coisa e ninguém se interessou.

Diferentemente do Instagram, que limita o alcance orgânico da maioria das contas para 5% dos seguidores, o TikTok impulsiona seus criadores de conteúdo que apresentam boa resposta de suas respectivas audiências. E, por isso mesmo, tornou-se uma rede social de criativos sem medo de passar vergonha em contraposição ao exibicionismo de status do Instagram.

TikTok VS Reels. Quem leva essa disputa?TikTok VS Reels. Quem leva essa disputa?

Entretanto, quem lembra como o formato Stories surgiu no Instagram deve saber que o Facebook não deixaria essa afronta passar batida. Para quem não sabe, em 2016, o Snapchat chegava com tudo no mercado conquistando corações e telas de audiências mais jovens.

O Facebook tentou comprar a plataforma por 3bi e tomou um “não”. Então, simplesmente resolveu copiar e jogar a funcionalidade de vídeos verticais em todas as suas redes. Resultado: freou os avanços do Snapchat no mercado global.

Diferentemente do que ocorreu com o Snapchat, o Facebook não tentou comprar o TikTok. Afinal, era óbvio que ByteDance, empresa dona do app, não venderia sua nova estrela. A ByteDance, no caso, é um dos maiores unicórnios da atualidade. Tão grande que não se deixa intimidar pelo Facebook.

A primeira tentativa de contra-ataque do Facebook foi um fiasco. A empresa lançou um app chamado Lasso em novembro de 2018 e teve menos de 600 mil dowloads.

Naturalmente, o Facebook voltou para sua estratégia contra o Snapchat e praticamente copiou o formato do TikTok para colocá-lo em uma de suas próprias plataformas. A partir daí a briga ficou interessante.

O Reels chegou trazendo algo que muitos criadores de conteúdo almejavam migrando para o TikTok: alcance. Em compensação, deixou algumas coisas de fora.

Enquanto o TikTok oferece inúmeros recursos para edição de vídeos e sua comunidade tem linguagem própria, o Instagram Reels nasceu disforme. Ele está ali, no meio dos Stories, com um feed próprio semelhante ao do IGTV, sem ser nem uma coisa e nem outra. Como se não bastasse essa caraterização confusa, quem mexe no TikTok deve ter achado o Reels um pouco duro na parte técnica. Talvez seja costume, mas é estranho editar um vídeo ou um áudio por lá. Estranho e irritante, diga-se de passagem.

TikTok VS Reels. Quem leva essa disputa?

TikTok VS Reels. Quem leva essa disputa?

Se fosse em condições normais, eu apostaria meu dinheiro no TikTok nessa briga. Pode me chamar de bairrista, mas me sinto muito mais confortável em criar conteúdo lá do que no Reels. Em compensação, por razões políticas, o TikTok levou um golpe duro e foi banido da Índia. Como se isso não fosse o bastante, a administração Trump também ameaçou banir o app dos EUA por
conta da sua disputa com a China (a ByteDance, empresa dona do TikTok, é chinesa). Sendo assim, acredito que o resultado de TikTok VS Reels anda lado a lado com o resultado da disputa China VS Trump.

Independentemente de quem leva a melhor, uma coisa é fato: O jeito TikToker de fazer conteúdo já foi abraçado por usuários das redes sociais, quaisquer que sejam elas. A produção de vídeos curtos, com efeitos simples e característica memética quebrou a estética de salto alto exibicionista que fazia sucesso até então.

Por isso, do mesmo jeito que as lives continuarão após COVID19, acredito que a criação de conteúdo TikToker vá continuar mesmo se a plataforma parar por aqui. E, pessoalmente, dou graças a Deus! Mas isso é assunto para um outro texto. Até lá quem sabe não teremos mais indícios de quem leva a melhor!

 

Fotos: Divulgação / Arquivo Pessoal

Fonte: Divulgação

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