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O Coronavírus e a Intolerância Racial e Religiosa.

Claudia Alice Xavier, mais conhecida como mãe Claudia Rosa de Oyá, nascida em São Paulo, Capital, é um dos nomes que representa a religião de matriz africana neste estado, sendo uma grande lutadora pela igualdade e o respeito as religiões de matriz africana. 

É sabido que o preconceito, a intolerância racial e religiosa, foram e tem sido uma das causas mais discutidas e defendidas pela mãe Claudia do Ilê Asé Ojú Oyá (Casa de Axé: “Os Olhos de Iansã”). A mãe está à frente da casa há 12 anos. 

É do conhecimento, também,  que a mãe Claudia é um dos símbolos de defesa da integração entre religiões e da busca pelo respeito que precisa existir entre todos os segmentos religiosos. Seu Ilê (casa), fica no bairro de Guaianases, zona leste do estado de São Paulo, na rua Bom Jesus da Penha  346.

A paz é uma das coisas mais buscadas pela humanidade desde que mundo é mundo, no entanto, a guerra pelo que se cunha chamar de religião (religar), mais adequada trata-se da coisa mais inadequada para os que conhecem a essência de uma religião.

O Coronavírus e a Intolerância Racial e Religiosa. 

O Coronavírus e a Intolerância Racial e Religiosa.

A ignorância cega e não permite que as pessoas percebam o quão perdidas estão. Assim, assistam ao vídeo onde mãe Claudia Rosa de Oyá fala sobre a intolerância religiosa:

Entrevista exclusiva com mãe Claudia 

Quando surgiu o Ilê (casa)?

Mãe Claudia – O Ilê foi fundado há 12 anos e encontra-se no bairro de Guaianases na rua Bom Jesus da Penha 346, no estado de São Paulo.

O que a senhora entende por Intolerância Religiosa?

Mãe Claudia – Todo o desrespeito a religião alheia é Intolerância. Todavia, a intolerância ao candomblé se dá em razão de o candomblé ter advindo do povo negro. A bem da verdade, o que sofremos é racismo religioso, pois todas as violências vivenciadas pelo candomblé vêm do fato de ser uma religião, quase que majoritariamente, negra. O candomblé é cultuado há mais de 2.000 anos e que se espalhou pelos porões dos navios. Seja por meio dos hábitos alimentares, costumes trazidos e passados de um para o outro. Na nossa religião se cultua a ancestralidade, pois o respeito aos mais velhos é prioridade e quando desrespeitam a nossa fé, o fazem aos nossos ancestrais, que tanto sofreram para perpetuar a sua fé.

O que pensa sobre o Coronavírus dentro do contexto das religiões?

Mãe Claudia – Trata-se de um momento para se conscientizar, refletir, pensar e repensar, assim como, orar, meditar sobre toda a maldade, ora praticada entre os seres humanos, o desamor e o materialismo. Sem falar da importância do momento para a união entre os povos e a integração, o fomento, promoção da fé, literalmente falando.

O que o Ilê procura promover no dia a dia?

Mãe Claudia – Educação social por meio de palestras, cursos, abrindo as portas para a cultura e a saúde de modo a contribuir com a igualdade social. Ou seja, o Candomblé é uma religião de matriz africana que foi moldada pelo povo escravizado, que chegaram ao Brasil e tiveram que moldar sua religião a cultura brasileira, tendo em vista que precisavam adequar seus ditames religiosos a cultura de um novo povo. Dessa forma, há várias raízes que vieram com eles. Mãe Cláudia vem de raiz Oxú Marê. Todavia existe várias outras raízes tais como: Efón, Raiz cantoa, Casa Branca, Viva Deus, Opo Fonja, Muritiba, Jeje marrin dentre outras.

Qual a participação da senhora em projetos sociais e quais as perspectivas para o futuro a frente do Ilê?

Mãe Claudia – Procuro estar sempre presente nas atividades sociais, principalmente nos movimentos das mulheres negras através da marcha mundial das mulheres negras. Participo da RENAFRO ( Rede Nacional de Saúde nos Terreiros), participo do mulheres de axé do Brasil enquanto conselheira nacional e também como coordenadora do núcleo do estado de São Paulo, onde temos uma coordenação tripartiti, constituída de três Ialorixás que também são conselheiras nacionais; mãe Maria Emília de Oyá de São Bernardo do Campo, bem como, Mameto Luidiiji e mãe Ofá.

Qual a Importância da união entre as religiões?

Mãe Claudia – Muito grande, pois a partir do momento em que houver a troca de conhecimentos nestes tempos de Inter – religiosidade as coisas fluíram e a paz reinará.

Há quantos anos a senhora é mãe de santo?

Mãe Claudia – Sou mãe de santo há 15 anos, tendo 24 anos de santo feito.

Quais os principais princípios de seu Ilê?

Mãe Claudia –  O amor, a gratidão e o respeito.

Qual a importância do estudo sobre a religião de matriz africana?

Mãe Claudia –  A religião de matriz africana é passada de forma oral, pois não há escritos registrados. Há antropólogos e historiadores, mas isto é recente diante de algo que vem de 2000 anos atrás.

A senhora tem alguma sugestão de cursos para entendimento da religião?

Mãe Claudia – O melhor curso por assim dizer é você vir para a casa de candomblé e ser um (abian) Abian é a pessoa não iniciada ao orixá, que apenas frequenta o candomblé com a intençao de ser yao um dia. Yao é a pessoa iniciada no orixá no candomblé.  Ou seja, viver o candomblé no seu dia a dia com suas dores, alegrias e harmonia diária é a forma mais coerente de se conhecer a religião e seus fundamentos.

Portanto, vale frisar que a respeitada mãe Claudia Rosa de Oyá recebeu no dia 07/02 na Câmara Municipal de São Paulo, em solenidade, a premiação internacional ibero-americano – Americano “A Trajetória do Nevado Solidário de Oro”.  

O Coronavírus e a Intolerância Racial e Religiosa. 

Preceitos estabelecidos pela mãe Claudia:

IFÁ (Culto) nos ensina:

  1. òkànran: Não fazer mal a ninguém
  2. Éjì òkò: Não sentir ódio nem distratar o outro
  3. Etá Ògúndá: Não guardar sentimento de vingança.
  4. Ìròsùn: não fazer armadilhas ou caluniar;
  5. Òsé: não invejar nada de ninguém
  6. Òbàrà: não mentir
  7. Òdí: não corromper nem se deixar ser corrompido
  8. Èjì Onílè: usar bem a cabeça neste mundo e respeitar os segredos alheios
  9.  ÒSÁ: não ser falso consigo ou ao próximo
  10. Òfùn: não roubar, não jurar em falso nem amaldiçoar.
  11. Òwónrín: não matar, não arruinar a vida de outros e ser grato ao bem que nos façam
  12.  Èjìlá seborá:  Evitar os escândalos e afastar-se de trajédias.
  13.  Èjì ológbon: respeitar os mais velhos e ancestrais.
  14. Ìká: não espalhar doenças, a corrupção e a maldade sobre o mundo
  15.  Ògbengúndá: respeitar a todos, as crianças, o pai e a mãe;
  16. Àlàáfíà: ouvindo estes conselhos não sentirá vergonha no dia que tiver que se apresentar perante (o Deus supremo) Olódùmarè!

Ilê Asé Ojú Oyá (Casa de Axé: “Os Olhos de Iansã”) Claudia Rosa de OYÁ

Continuidade

Mãe Claudia possuí um papel elementar no contexto religioso, social e econômico do estado de São Paulo. A mãe segue uma rotina árdua de muita luta pela igualdade, prática da solidariedade a todos que a procuram, busca criar pontes para vencer barreiras entre religiões, pois segundo ela, a integração e a tolerância é a essência do amor ao próximo.

Acrescenta ainda que somos mais fracos para apoiar causas se divididos por causa da soberba ou pelo pseudo achar de outrem que se intitula como o dono de uma pseudo verdade absoluta. Ou seja, trata-se de uma contradição sem precedentes, querer praticar o amor por meio do ódio a religião alheia.

É necessário o exercício em conjunto da solidariedade. Dessa forma, umas das frases mais emblemáticas da mãe Claudia diante da pandemia de Coronavírus, dentro do contexto das atividades de sua casa e em todos os demais Ilês é: ” Por que não beijar as mãos? O não beijar as mãos não significa falta de respeito e axé, mas sim amor ao próximo e prevenção no tocante ao Coronavírus.

O Coronavírus e a Intolerância Racial e Religiosa.

Mãe Claudia Rosa de Oyá – Instagram 

Ilê – InstagramFanpage

 

O Coronavírus e a Intolerância Racial e Religiosa

 

Fotos: mãe Claudia de Oya/ Arquivo Pessoal

Fonte: Divulgação

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