Em entrevista Heni Ozi Cukier e as Formas do Poder

Primeiramente, teremos um bate-papo com Heni Ozi Cukier que é deputado estadual de São Paulo e Cientista Politico.  Heni Ozi Cukier,  HOC, como é conhecido nas mídias, está com  44 anos e, além de cientista político, também é professor e palestrante. Formou-se nos Estados Unidos em filosofia e Ciências Políticas e é mestre em “International Peace and Conflict Resolution” pela American University, em Washington DC.

1 – Heni, antes de começarmos a falar sobre o tema que é uma das suas grandes pesquisas, as formas de Poder, conte um pouco da sua trajetória profissional até chegar na política.

Eu me formei nos Estados Unidos em Filosofia e Ciência Política e sou mestre em International Peace and Conflict Resolution pela American University, em Washington D.C. Nos Estados Unidos, trabalhei na ONG Peacebuilding Development Institute; na think tank Woodrow Wilson Center; na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Conselho de Segurança da ONU.

Acabei de decepcionando com o trabalho na ONU e percebi que não conseguiria ter o impacto que imaginava então decidi voltar para o Brasil para fazer a  diferença aqui no meu país. Voltei para o Brasil e comecei a lecionar na ESPM, no curso de Relações Internacionais, logo fundei a Insight Geopolíico uma consultoria de análise de risco político. Passei a ser convidado para analisar e debater os riscos e problemas políticos nacionais e internacionais nos grandes veículos de mídia do Brasil, como Globo, Band, Record, entre outros.

Em 2016 fui convidado para ser o estrategista da campanha do Partido NOVO e após a eleição, fui convidado em 2017 para ser Secretário-adjunto de Segurança Urbana de São Paulo. Em 2018 decidi que iria sair candidato e participei da minha primeira eleição sendo eleito Deputado Estadual pelo Partido NOVO com 130.214 votos.

Na Assembleia Legislativa eu fui o líder da bancada do NOVO, relator da reforma da maior reforma da previdência do Estado de São Paulo e atualmente sou vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, e vice-presidente da Comissão de Relações Internacionais. Além disso, sou autor de três leis aprovadas:  a Política sobre Drogas no Estado de São Paulo; multa para quem furar a fila da vacina; e penalidades administrativas contra a corrupção na pandemia.

Em entrevista Heni Ozi Cukier e as Formas do Poder

Em entrevista Heni Ozi Cukier e as Formas do Poder

2 – Quais são as formas de poder mais conhecidas e como podemos usá-las?

Eu gosto muito da visão sobre poder do professor Joseph Nye, que distingue entre dois tipos de poder, isto é, o hard e o soft power. Portanto, o hard é o poder impositivo usando a força, poder militar, ameaças e coerções. Já o soft power é a habilidade de conseguir o que deseja por meio da atração usando persuasão, discursos, cultura e outras ferramentas mais brandas e sutis

O mais interessante é que esses poderes não estão acessíveis apenas às empresas e governos, mas também qualquer pessoa pode usá-los, seja no âmbito pessoal e profissional. O equilíbrio certo é desenvolver o smart power, ou seja, a capacidade de combinar as estratégias de hard e soft power de forma eficaz em diferentes cenários e contextos.

3 – Existem ferramentas para gerenciamento e formas de medição para essas questões intangíveis?

Existem muitas definições de poder, mas o conceito básico de poder é a capacidade de conseguir aquilo que você quer. Mas aquilo que queremos pode mudar de acordo com os desafios que enfrentamos. Essa é uma grande lição sobre o poder: ele é relativo e contextual, ou seja, ninguém é poderoso o tempo todo, mas em determinadas situações.

As pessoas costumam confundir poder e ferramentas de poder. Poder é conseguir aquilo que queremos, já as ferramentas de poder são os instrumentos que usamos para conseguir aquilo que queremos. Um exemplo clássico é o dinheiro: muitos acham que recurso financeiro te dá poder, mas na verdade ele é uma ferramenta que pode te dar poder em determinadas situações, mas se você estiver numa ilha deserta, por exemplo, essa ferramenta será inútil.

Por isso, é muito difícil medir poder, mas a gente consegue medir as ferramentas de poder em situações específicas. Porém, não podemos esquecer que possuir as melhores ferramentas e recursos não te garante poder, basta lembrarmos que um jogador de pôquer que tem as melhores cartas não necessariamente vai ser o vencedor do jogo.

4 – Da sua vida como professor e cientista político, até legislar de fato, houveram muitos desafios. Entre teoria e a prática, hoje você pode falar com propriedade, conte-nos um pouco destes bastidores reais da vida pública.

É um ambiente muito desafiador, eu tenho um perfil mediador, e acredito que graças a isso tenha conquistado em tão pouco tempo tantos objetivos—3 leis aprovadas, relatoria da previdência, espaços em comissões. Eu não acredito em política de lacração, e a Alesp muitas vezes é um grande palco, onde os Deputados fazem discursos polarizados para o seu público, mas nada efetivamente acontece para resolver os grandes problemas do nosso estado e país. A verdadeira política acontece com muito trabalho, dedicação, diálogos, reuniões, mediações e principalmente a habilidade de persuadir os outros para conseguir aquilo que você acredita.

5 – No que diz respeito a Geopolítica, atualmente o que você considera como potência de poder econômico e político?

Para definir uma potência é preciso analisar as ferramentas de poder de cada país em contextos específicos, como desempenho econômico, influência política e recursos militares. Assim, apesar do crescimento econômico e investimento militar chinês nos últimos anos, os Estados Unidos continuam sendo a maior potência global, com um PIB de $ 21, 4 trilhões e o maior orçamento militar do mundo (equivalente a 40% de todo gasto militar global), além de distribuir bilhões de dólares em ajuda a nações em todo o mundo a cada ano. Ou seja, ninguém desempenha tão bem o hard power como os norte-americanos.

Além disso, os Estados Unidos também são uma potência quando analisamos seu soft power. O país abriga algumas das melhores universidades do mundo, incluindo a Harvard University e o Massachusetts Institute of Technology. Além disso, assumem um papel de liderança em organizações internacionais como as Nações Unidas, a OTAN e o Banco Mundial. Sem falar na influência cultural que desempenham com excelência, difundindo seus valores através de seriados, músicas e principalmente cinema, ditando ao mundo tendências e modelos a serem seguidos.

6 – Política e economia andam juntas? Ou não deveriam?

Andam juntas porque a política determina todos os nossos jeitos de observar o mundo e não existe um pensamento puramente econômico sem os filtros políticos. Às vezes seria bom que elas estivessem separadas, mas, por outras vezes, seria muito ruim a gente ter uma visão econômica mecânica sem se preocupar com objetivos maiores.

7 – Você escreveu um Livro sobre a Inteligência do Carisma, com estudo e técnicas que ajudam as pessoas a melhorarem esse aspecto. Você acredita que isso, quando não for inato, pode ser alcançado?

Desenvolver o carisma é como aprender um idioma. Ou seja, requer treino constante das habilidades para o pleno domínio das competências exigidas. Quanto mais se desenvolve a inteligência do carisma, mais se adquire consciência sobre as suas principais habilidades e limitações. Portanto, essa consciência é a chave para acessar o estado mental carismático com naturalidade, ativando o carisma sempre que necessário.

8 – Dicas de livros (4) para uma leitura boa:

Armas, Germes e Aço – Jared Diamond

21 Lições para o Século 21 – Harari

Como as Democracias Morrem – Steven Levitsky

Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda

9 – Seu futuro, como Senador, podemos esperar essa candidatura? Como você se prepara?

Sim! Meu plano é me candidatar para Senador nas próximas eleições. Toda minha trajetória foi uma grande preparação, desde minha graduação em Ciência Política. E passando pelo meu mestrado em Resolução de Conflitos e por minha atuação como Secretário de Segurança. E chegando até o sucesso que tive como legislador estadual. Além disso, venho me aprofundando nos problemas do estado e do país, fazendo pesquisas no campo, tanto no Brasil quanto no exterior. Enfim, o Senado se tornou um “banco de reservas” ou estagio final de aposentadoria. Dessa forma, quero mudar isso e trazer energia para o senado. Em outras palavras, ser senador para ser senador!

 

Fotos: Divulgação / Acervo Pessoal
Fonte: Divulgação
Edição: Redação Na Mídia
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