Sem fiéis, Vaticano celebra a Semana Santa.

Esse é o final de semana mais importante do ano para o Vaticano, mas você não imaginaria isso apenas olhando para uma Praça de São Pedro completamente vazia.

Na sede mundial do catolicismo, as celebrações da Semana Santa, que começaram oficialmente no último domingo (05), com a Missa de Domingo de Ramos, foram marcadas pelo ineditismo.

E, também, pela ausência de fiéis e por constantes referências à pandemia do novo coronavírus, que já fez mais de 100 mil vítimas no mundo.

Sem fiéis, Vaticano celebra a Semana Santa.

Entrada Triunfal

Para comemorar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, Francisco presidiu a tradicional Missa de Domingo de Ramos.

Dessa forma, presidiu uma missa em uma São Pedro sem fiéis, à portas fechadas, diante de uma praça deserta.

A homilia foi feita do altar da cátedra da Basílica, com a presença da Salus Populi Romani, a Virgem Maria protetora do povo romano.

E, concomitantemente, com o Crucifixo Milagroso da Igreja de San Marcello al Corso.

Durante a homilia, o Pontífice pediu para que, nesses dias quarentena, “não pensemos só naquilo que nos falta; pensemos no bem que podemos fazer”.

O papa urgiu “coragem” diante do drama da pandemia de COVID-19 e afirmou que é “tempo de servir”.

Na quinta-feira (09), a Missa da Ceia do Senhor também foi realizada em uma Basílica sem fiéis, praticamente vazia, e pela primeira vez o tradicional ritual do lava-pés não foi realizado.

Na homilia, pronunciada de improviso, sem texto escrito, Francisco lembrou os sacerdotes que morreram cumprindo sua missão na linha de frente do combate ao coronavírus.

Dessa forma, na Itália, já somam mais de 60 os religiosos vítimas da doença.

Sem fiéis, Vaticano celebra a Semana Santa.

Sem fiéis, Vaticano celebra a Semana Santa.

A Sexta-Feita da Paixão, que marca a crucificação e morte de Cristo, foi o momento mais significativo dessa Semana Santa inédita no Vaticano.

Igrejas silenciosas e, pela primeira vez na longa história desta instituição milenar, fechadas ao redor do mundo.

Prostrado em frente ao Crucifixo de São Marcelo, em sinal de reverência e adoração, o papa deu início à Missa da Paixão.

Na ocasião, o Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, criticou em sua homilia o “delírio de onipotência” e afirmou que :

-“bastou o menor e mais informe elemento da natureza, um vírus, para nos recordar que somos mortais”.

O Pontífice ressaltou que “a cruz de Cristo mudou o sentido da dor e do sofrimento humano”. “Ela não é mais um castigo, uma maldição. Foi redimida pela raiz”, afirmou.

Sem fiéis, Vaticano celebra a Semana Santa.

Mais tarde, em uma Praça de São Pedro assustadoramente deserta, iluminada pelas chamas das velas, Francisco presidiu o rito da Via Crucis.

Desde 1750, a cerimônia que lembra as 14 estações nas quais, segundo a tradição cristã, Jesus enfrentou o seu calvário até a crucificação, acontecia no Coliseu de Roma.

Esse ano, o papa estava praticamente sozinho.

Um grupo de quatorze pessoas (detentos, profissionais carcerários, voluntários, familiares de presos e vítimas de crimes) caminhou do Obelisco egípcio até o átrio da Basílica.

Grupo este, comandando as meditações da Via Sacra, sempre com fortes mensagens sobre redenção.

No final, a cruz foi levada até as mãos do papa Francisco, marcando a última estação, O Cristo sepultado.

No Sábado Santo (11), a cerimônia solene da Vigília de Páscoa, na Basílica de São Pedro, não contou com os tradicionais ritos do batismo.

A celebração inicial, com a Bênção do Fogo, foi realizada sem luzes, na escuridão da basílica.

Na homilia, o papa motivou os fiéis a serem “peregrinos em busca da esperança de Deus, que até do túmulo fez sair vida”.

O Pontífice ainda urgiu esperança aos que sofrem e fez um apelo pelo desarmamento e pelo fim das guerras. “Podemos e devemos esperar.

A morte e a escuridão não terão a última palavra”, disse Francisco para uma Igreja vazia por causa da pandemia.

Sem fiéis, Vaticano celebra a Semana Santa.

Domingo (12), que marca a ressurreição de Jesus, Francisco celebrou a Missa de Páscoa, com a tradicional benção “Urbi et Orbi” (à cidade de Roma e ao mundo).

Na mensagem, transmitida aos fiéis pela internet, o papa afirmou que este não é tempo para indiferença e egoísmos, pois “este desafio nos une a todos”.

O pontífice pediu para que não faltem os bens de primeira necessidade aos que vivem nas periferias, aos refugiados e aos desabrigados.

Em tempos de pandemia, a Igreja Católica luta para unir os fiéis, mesmo enquanto se esforça para manter as pessoas separadas em casa.

Na semana em que a Itália viu subir o números de mortos pela COVID-19 e novos casos da doença, e o governo italiano decidiu estender o completo lockdown do país.

Ou seja, por mais três semanas, até 03 de maio. Assim,  a mensagem do papa no domingo de Páscoa, mesmo com uma praça vazia, nunca foi tão importante.

Leia mais em: https://namidia.com.br/coronavirus-prejudica-rotina-e-financas-do-vaticano/

Thales Reis é jornalista, com mais de 10 anos de experiência na área. Possui MBA em Relações Internacionais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo e especializações em: Comunicação no Ambiente Digital pela ComSchool, de São Paulo; Teologia Cristã pela Universidade de Harvard; e Diplomacia Vaticana pelo Berkley Center for Religion, Peace & World Affairs da Universidade de Georgetown, dos Estados Unidos. É estudioso, pesquisador e especialista em assuntos relacionados ao Vaticano, ao papado e à Igreja Católica em Roma, traçando análises precisas sobre a atuação desta instituição milenar no cenário da política e das relações que regem os diversos atores internacionais.

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