Em briga de marido e Mulher ninguém mete a colher. Para compreendermos essa colocação, ou melhor esse ditado popular em uso há décadas em nossa sociedade, basta nos atentarmos para o fato de que a violência doméstica é tratada há milênios como uma conduta normal e corriqueira em todo mundo.

Independente da cultura, civilização ou ideologia religiosa vigente, a mulher sempre foi vista e tratada como um ser inferior,o sexo frágil e até mesmo como propriedade e objeto de satisfação sexual do homem.

Não há como negar que nas últimas décadas houve uma inversão neste quadro, ocorrendo inegáveis avanços e conquistas de igualdade de direitos.

Infelizmente nossa sociedade ainda é machista, sempre colocando a mulher num patamar de desigualdade em relação ao homem, a ponto de se considerar a violência praticada em desfavor da mesma, principalmente no âmbito doméstico, como um ato comum, de menor importância.

Pior ainda, incentivam que ferido assunto deve ser tratado de forma reservada, silenciosa e que interessa apenas à família envolvida no problema.

Na realidade essa é uma questão que transcende em muito o núcleo familiar, atingindo a sociedade em escalas alarmantes.

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Pesquisas realizadas pelos Bancos Mundial e Interamericano de Desenvolvimento constatam que:

  1. no mundo, um em cada cinco dias de falta da mulher ao emprego, são decorrentes da violência doméstica e intra familiar;
  2. a cada cinco anos a mulher, vítima de violência doméstica e intra familiar, perde uma ano de vida saudável;
  3. a violência doméstica e intra familiar são fatores que contribuem de forma predominante para a incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva;
  4. o custo total da violência doméstica e intra familiar chega a comprometer de 1,6 a 2% do Produto Interno Bruto do País.
Em briga de Marido e Mulher ninguém mete a colher.

Além dos dados acima mencionados devemos levar em conta também que a violência doméstica e intra familiar ainda acarreta outros danos de valores sociais inestimáveis.

Ao contrário do que a maioria pensa, não atinge unicamente a mulher vítima da agressão, mas sua família como um todo, principalmente os filhos e demais pessoas que convivem naquele ambiente, acarretando problemas psicológicos muitas vezes irreversíveis.

As crianças são as maiores vítimas, pois não suportando aquele lar hostil, irão procurar uma “pseudo segurança” nas ruas, envolvendo-se em tráfico de drogas, prostituição infantil, praticando furtos e roubos, tornando-se os Adolescentes Infratores de hoje e aumentando, no futuro, a nossa já assombrosa população carcerária.

Indo mais além, citadas crianças, ao atingirem a maturidade irão formar um novo núcleo familiar, no qual reproduzirão a mesma violência sofrida e presenciada por ocasião de sua infância e adolescência, contribuindo assim para a formação de um ciclo vicioso e ininterrupto, ou seja a famosa “bola de neve”.

Importante salientar que a violência doméstica e intra familiar não se restringe apenas, como a maioria da população pensa, à agressão física que deixa marcas, praticadas pelo marido contra a esposa.

Compreende qualquer forma de agressão, seja física, verbal, psicológica, moral, patrimonial e sexual sofrida pela mulher, no interior do lar ou perpetradas por pessoas de ambos os sexos que tenham um envolvimento familiar, de convivência ou emocional com a vítima.

Abrangem também as efetuadas por parentes consanguíneos ou por afinidade.

Pelo exposto acima fica claro e evidente que a violência doméstica é uma tema complexo, de abrangência ampla  em nossa sociedade.

Traz implicações profundas, incorrendo em todas as classes sociais e que deve ser tratado e combatido de forma séria e rigorosa pelo Poder Público, inclusive com a implantação de políticas públicas em âmbito Federal, Estadual e Municipal, um vez que tornou-se uma questão de Interesse Público, não restrito apenas ao âmbito familiar.

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